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Aposta na competitividade é determinante para o crescimento da economia europeia

Defende Gonçalo Lobo Xavier, membro português do Comité Económico e Social Europeu indicado pela CIP.

Luísa Teresa Ribeiro*
3 Jan 2023

O membro português do Comité Económico e Social Europeu (CESE) Gonçalo Lobo Xavier aplaude a definição da promoção da competitividade como uma das prioridades da presidência sueca da União Europeia, que começou a 1 de janeiro, considerando que esta aposta é determinante para o crescimento europeu.

Falando à margem do plenário de dezembro do organismo europeu representativo da sociedade civil organizada, onde esta temática foi abordada, o representante da CIP – Confederação Empresarial de Portugal defendeu que «a competitividade é que pode definir o progresso das economias e das sociedades».

Considerando que há muitos pontos de ligação entre o pensamento dos empresários, trabalhadores e outras organizações da sociedade civil, constata que todos querem que «haja mais competitividade na Europa» e que haja «uma Europa mais capaz de concorrer com outras geografias».

«Esta agenda para a competitividade é, de facto, algo que pode fazer a diferença no crescimento da Europa e na afirmação da Europa enquanto espaço atrativo para se viver», afirma.

Lamentando que, tanto em Portugal como noutros Estados-Membros, a discussão política esteja «muito capturada por algum populismo e alguma ideia de curto prazo», diz que «esta agenda para a competitividade é claramente uma agenda de médio e longo prazo, porque outras geografias, designadamente as grandes economias mundiais, como a China e os Estados Unidos da América, têm ideias e conceitos para a sociedade a médio e longo prazo».

«Se a Europa foi capaz de definir metas de médio prazo, por exemplo, para a sustentabilidade, está na hora de também ser capaz de definir metas para a competitividade que sejam de médio e longo prazo», declara.

Na sua opinião, a pandemia de Covid-19 «veio pôr a descoberto algumas das fragilidades do espaço económico europeu, que têm de ser combatidas», apontando a necessidade de se apostar na competitividade, na reindustrialização e na formação dos europeus.

Instado a comentar o papel da política fiscal nesta matéria, ressalva que embora a competitividade fiscal dos Estados-Membros seja «importante», já ficou demonstrado que «o mercado interno ganha mais com políticas harmonizadas».

Em seu entender, uma coisa é a «ideia de equilíbrio e de justiça fiscal» para empresas globais que atuam no espaço europeu, outra totalmente diferente «é os Estados-Membros irem mais além». «Não posso deixar de referir o Governo português, que tem manifestamente uma carga fiscal penalizadora para as empresas e a ideia de punir as empresas do ponto de vista dos seus resultados e com isto trazer um anátema muito grande para o crescimento e para o desenvolvimento do investimento por parte das empresas», declara.

Lembrando que no CESE tem contactado com empresários, sindicatos e organizações da sociedade civil de todos os países da UE, revela ficar «sempre com um certo amargo de boca» quando vê que «ainda há Estados-Membros que, em nome das políticas internas, fazem um jogo de populismo de atirar os empresários contra a sociedade e a sociedade contra os empresários».

O vice-presidente do Grupo do Semestre Europeu do CESE considera que, em vez de instigarem o antagonismo, os governos devem centrar-se em «políticas públicas que fomentem a formação, o emprego, que permitam que as empresas invistam com confiança e com alguma estabilidade».

 

Europa tem de reinvestir na indústria

Gonçalo Lobo Xavier defende que a pandemia de Covid-19 veio demonstrar que a Europa está «demasiado dependente de outras geografias» e por isso tem que «reinvestir na indústria», capacitando as suas empresas para voltarem a produzir produtos, bens e serviços cuja produção foi deslocada para outros locais.

Já devíamos ter acarinhado as empresas europeias, para evitar a situação que estamos a viver.

Embora rejeitando o protecionismo para a Europa, ressalva que há «algumas áreas importantes» onde é necessário aumentar a autossuficiência, designadamente na energia, setor que a invasão da Ucrânia por parte da Rússia mostrou ser crítico para a União Europeia. Em seu entender, tem de haver uma resposta europeia para a eletricidade e para o gás.

Questionado sobre o alerta de que estratégia europeia de transição verde não pode ficar dependente dos painéis solares ou fotovoltaicos chineses, o antigo aluno da Universidade do Minho considera que os setores da energia eólica e solar «são claramente dois exemplos de indústrias que merecem o apoio dos Estados-Membros e da própria Comissão Europeia» para que os equipamentos possam sem produzidos na UE.

Em seu entender, é necessário avançar com «mecanismos de investimento que permitam que as empresas europeias produzam mais, dependam menos do estrangeiro e tenham capacidade para usar o conhecimento e a inovação de que dispõem». «A dependência externa torna-nos mais frágeis», adverte.

*Em Bruxelas, a convite do Comité Económico e Social Europeu.





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