Fotografia: DM

Sociedade civil quer participar na reconstrução da Ucrânia

Intenção manifestada pela presidente do Comité Económico e Social Europeu.

Luísa Teresa Ribeiro*
2 Jan 2023

A sociedade civil organizada quer envolver-se na reconstrução da Ucrânia, depois de ter estado na linha da frente na condenação da invasão por parte da Rússia e na mobilização para acudir ao sofrimento do povo ucraniano.

Esta intenção foi manifestada pela presidente do Comité Económico e Social Europeu (CESE), num seminário para jornalistas, a 14 de dezembro, subordinado ao tema “Energia e meios de comunicação social como armas em tempo de guerra”, que este órgão consultivo promoveu em Bruxelas.

Christa Schweng recordou que o CESE condenou a guerra «nos termos mais veementes» e «apoiou totalmente» as sanções contra a Rússia. Paralelamente, a sociedade civil mobilizou-se «com prontidão e eficiência» para ajudar os ucranianos. Esta responsável adiantou que o CESE vai defender «uma ajuda contínua» aos refugiados enquanto for necessária, lembrando que os dados mostram que, ao contrário do que se podia temer, «não se instalou uma fadiga de solidariedade» entre os europeus.

«Mulheres, homens e crianças ucranianas estão a pagar o preço mais alto pela liberdade, pelos direitos fundamentais e pelo futuro europeu da Ucrânia», disse, enfatizando que «a Europa – e os cidadãos europeus – também estão a pagar um preço por esta guerra», com o agravamento da difícil situação socioeconómica. «O nosso papel enquanto sociedade civil organizada é mitigar o impacto desses desafios», afirmou.

Relativamente à Ucrânia, recordou que o CESE adotou, em março, uma resolução sobre o impacto económico, social e ambiental da guerra e, em junho, uma resolução a pensar no futuro, centrando-se pós-guerra e na reconstrução. «Queremos ter a certeza de que, quando esta terrível guerra terminar, a reconstrução vai na direção certa, na direção que a Ucrânia e o seu corajoso povo merecem», sustentou.

Em julho decorreu uma conferência de alto nível, em Cracóvia, na qual foi enfatizado que a reconstrução da Ucrânia deve ser «sustentável, transparente, verde e digital». «Deixamos claro que a recuperação não será bem-sucedida sem um envolvimento genuíno dos parceiros sociais e das organizações da sociedade civil», sublinhou.

Recordando o conhecimento e a experiência do CESE, declarou: «Estamos prontos para apoiar a Ucrânia em todos os seus esforços pós-guerra, para garantir que o país renasça das cinzas mais forte, mais verde, mais resiliente e mais sustentável».

CESE representa cerca de 90 milhões de entidades patronais, de trabalhadores e organizações não governamentais.

Putin tem de ser travado

Todos os quadrantes da sociedade civil organizada condenam a invasão da Ucrânia pela Rússia e consideram que as sanções são necessárias para travar Vladimir Putin.

Esta posição foi assumida pelos responsáveis pelos três grupos que compõem o Comité Económico e Social Europeu, num seminário para jornalistas, que decorreu em Bruxelas.

Pela parte dos Empregadores (Grupo I), Stefano Mallia manifestou apoio às sanções para travar a agressão por parte da Rússia. Sem escamotear as consequências para a União Europeia, considerou que é preciso parar Vladimir Putin, sob pena de, no futuro, a situação ser ainda pior. Relativamente a medidas concretas, sugeriu o apoio direto às pequenas e médias empresas ucranianas, para salvar o que resta da economia daquele país, e a criação de um seguro de investimento que permita aos privados fazerem parte do processo de reconstrução.

Por seu turno, o presidente do Grupo dos Trabalhadores (Grupo II), Oliver Röpke, manifestou preocupação com a situação interna na Ucrânia, denunciando que têm sido aprovadas medidas sem consenso social que tinham sido rejeitadas antes da guerra, lesivas para a contratação coletiva, para os sindicatos e para os trabalhadores.

Por seu turno, o presidente da Diversidade Europa (Grupo III), Séamus Boland, recordou que há membros de organizações da sociedade civil que estão a arriscar a vida para ajudar os ucranianos e que este apoio vai continuar no terreno enquanto for necessário. Lamentando a devastação da guerra, este responsável referiu que a Europa está a enfrentar este desafio «mais unida» porque acordou para valores pelos quais vale a pena lutar, como a liberdade e a democracia.

Durante este seminário para jornalistas, o Comité Económico e Social Europeu apresentou a exposição “Crianças na guerra”, projeto que retrata crianças ucranianas vítimas da guerra. Mais aqui.

*Em Bruxelas, a convite do Comité Económico e Social Europeu.





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