Espaço do Diário do Minho

Com pouca saúde e pobres

6 Dez 2022
Luís Martins

Portugal não está bem. Já não estava há muito. Mas, havia a expectativa de que as coisas seriam diferentes. Muitos de nós enganaram-se. Não faltaram promessas e muitos acreditamos, tão desanimados que estávamos. Está tudo ou quase tudo a correr-nos mal. O Governo de António Costa não tem estado à altura e nós é que pagamos. Muitos com a saúde e muitos mais com a pobreza.

1. São recorrentes dificuldades nas urgências. E não é só nos grandes hospitais. Continuam as rescisões dos médicos do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Não se criam condições para que os médicos optem por ficar no SNS. Não se pode deixar de perguntar: o Governo socialista quer ou não quer o SNS? Os problemas não são pontuais. Há muito que os constrangimentos existem, mas nunca admitidos em toda a sua extensão e gravidade. O ministro Pizarra já colocou a mão a jeito da palmatória, mas retirou-a depressa. Há que admitir com frontalidade e se preconizem soluções. De uma vez por todas para resolver o que não está bem e continuar depois com uma gestão activa e transparente para acompanhar e controlar a situação, como quem gere uma empresa. Que bom gestor deixa que faltem stocks, não recruta os recursos necessários com a devida antecedência ou não faz previsões? Mas, há outras perguntas. Por que será que apesar da perda do poder de compra, muitos cidadãos estão a preferir pagar aos privados? A resposta é simples: porque não conseguem ser atendidos com oportunidade no SNS; porque este evidencia que não tem condições para os atender e lhes fecha as portas.

Ao não acautelar o fornecimento de serviços de saúde atempado a todos os cidadãos, desde logo, não proporcionando médico de família a muitos, o Estado está a proporcionar o florescimento de outros operadores para satisfazer necessidades básicas. O pior é que são os cidadãos desprotegidos que estão a pagar integralmente os serviços de que necessitam, originando injustiças inconcebíveis numa democracia. É que o Governo não lhes reconhece a pertinência ao recurso a estabelecimentos de saúde privados para efeitos de compensação dos pagamentos feitos. Se fosse o Estado a contratualizar esses serviços, o cidadão não pagaria mais do que pagaria num hospital público e então sim, haveria igualdade e justiça social.

Ora, o Estado não pode prolongar indefinidamente esta situação em que uns beneficiam com os impostos que pagam e outros só pagam e não usufruem de nada. Isto tem obrigado muitos a ter que contratualizar um seguro. São muitas centenas de milhões a desaguar nas seguradoras quando podiam melhorar o bem estar dos cidadãos que já pagam para beneficiarem do SNS. Não é justo nem aceitável que os cidadãos paguem em duplicado pelos serviços que lhes são prestados.

Podemos e devemos sempre culpar os partidos que têm passado pelo poder. Nenhum dos que por lá tem passado estará completamente isento de culpas. Mas, a bem da verdade e para sermos justos, devemos responsabilizar quem mais tempo foi governo. Aí temos que chamar à pedra o Partido Socialista que nos últimos 27 anos esteve 20 a comandar os destinos do país. Quando voltarmos a decidir sobre quem devemos escolher para nos representar nos interesses e nas preocupações, precisamos de ter isso em conta.

2. Apesar do discurso oficial ser de que Portugal está no bom caminho e na direcção certa, a verdade é que os indicadores desmentem. Até pode ser que agora ou logo o país cresça mais do que outro mais desenvolvido, mas isso é pouco, ainda mais quando se está longe do ideal e se é ultrapassado por outros ainda há pouco bem mais atrasados do que Portugal. Quem pode fazer algo para que tal não aconteça e a riqueza cresça mais depressa? O Governo. E está a fazer por isso? Não, pelo menos, não o suficiente. Portugal está a ficar para trás, está quase na cauda e no dizer do líder do maior partido da oposição está quase a entrar no carro vassoura. De 2016 a 2021, Portugal cresceu 7,1% em termos cumulativos enquanto os países da coesão cresceram 18,4%. “O governo tem tudo na mão e o que está a entregar aos Portugueses? Empobrecimento”, uma declaração de Montenegro que é preocupante.



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