Fotografia: Avelino Lima

ACAPO alerta para necessidade de se evoluir para a «ausência de rótulos» na deficiência

Para Ana Paula Amorim, esta sensibilização deve ser feita sobretudo junto dos mais adultos que já estão no ativo e não tanto junto das crianças que estão a começar a escrever e a falar sobre esses temas.

Rita Cunha
6 Dez 2022

A delegação de Braga da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal alertou ontem, numa sessão na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, para a necessidade de se «corrigirem alguns termos» ainda hoje utilizados, de modo a que se caminhe para uma «ausência de rótulos».

“Deficiente”, “invisual” e “portador de” são, na ótica da assistente social Ana Paula Amorim, palavras a evitar devido à carga negativa que comportam, devendo ser substituídas por “pessoa com deficiência”. «As palavras importam e se começarmos por aí já é ótimo porque estas são palavras com carga negativa, perpetuadoras de estereótipos, que são incomodativas, não contribuem para a auto-estima e que não vão promover o bem-estar das pessoas que estão nessa condição e que as ouvem» disse, salientando, contudo, que é difícil reunir o consenso geral, mas esta é, atualmente, a “solução” que reúne maior consenso.

Segundo a responsável,  que falava à margem da ação de sensibilização “As Palavras inclusivas nos tempos que correm”, a solução está nos manuais de linguagem inclusiva e pode ser facilmente consultada, de modo a que seja «aplicado o que lá está». 

Para Ana Paula Amorim, esta sensibilização deve ser feita sobretudo junto dos mais adultos que já estão no ativo e não tanto junto das crianças que estão a começar a escrever e a falar sobre esses temas. Isto porque, «se as coisas entretanto tiverem evoluído, elas já vão adotar».

De acordo com a assistente social, apesar de ainda haver um caminho a percorrer nesta questão, tem sido notória uma evolução, sobretudo desde que foi adotada a Convenção para os Direitos das Pessoas com Deficiência. 

«Tem havido uma série de normativas, inclusivamente estas, e os manuais vão no sentido de se cumprirem esses direitos consagrados na Constituição, outro instrumento que era bom que as pessoas conhecessem para perceberem de onde vem a necessidade de transformarmos uma série de coisas no quotidiano», vincou ainda.

O desconhecimento, o imediatismo da comunicação – que nem sempre é precedida de uma reflexão – e o uso de termos com carga histórica são entraves à mudança que, na sua perspetiva, devem ser contornados.





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