Espaço do Diário do Minho

Nos 450 anos do Seminário Conciliar de Braga, grande exaltação à sua existência2

30 Nov 2022
Salvador de Sousa

Notáveis eventos ficarão, com certeza, na memória de todos aqueles que assistiram, intervieram e leram as súmulas do Diário do Minho que descreveu a diversidade de atividades programadas para lembrar e homenagear tantos vultos que têm passado por estas grandes e inesquecíveis escolas.

Como antigo aluno dos Seminários de Braga, fiquei muito contente por recordar algumas sumidades no campo musical, algumas delas do meu tempo, sendo de louvar todos os que tiveram a iniciativa e trabalharam na organização deste tão extenso programa, culminando no Congresso Internacional, que decorreu durante os dias 16 a 19 de novembro, debatendo-se temas de interesse para o bom funcionamento de uma instituição que se pretende continuamente adaptada às exigências destes novos tempos, refletindo-se nos modelos de formação, dos problemas dos seminários católicos, das vocações, dos ideais sacerdotais, tendo em vista a modernidade, fator que obriga a adaptações que a Igreja não pode pôr de lado. Há todo um conjunto de prioridades que urge implementar, e que foram debatidas no congresso, para que possam germinar nos novos “terrenos” que estas instituições têm a seu cargo.

Outro grande mérito destas comemorações foi a edição do livro “Seminário de Braga, Viveiro de Músicos” de autoria do meu condiscípulo, Dr. José Abel Carriço, e do Cónego José Paulo Abreu. O primeiro, trabalhou mais na recolha e nos arranjos musicais de dezenas de compositores que o seminário tem formado; o segundo investigou, sobretudo, a biografia de todas essas figuras de relevo no âmbito musical. Realço alguns que nesta obra são, felizmente, referidos que, por vezes, têm caído um pouco no esquecimento e que poderiam dar muito mais nas suas dioceses.

Realço, também aqui, os concertos, o primeiro no dia 21 de outubro, que se realizaram nesta comemoração dos 450 anos do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo que nos fizeram lembrar ricas melodias desse viveiro de músicos que o Seminário formou e que continua a formar, assistindo, no dia 13 de novembro, a outro, na Cripta do Sameiro, intitulado “Venite A Laudare” que foi preenchido pela atuação de vários grupos corais: Grupo Coral Paroquial de Alvito – Barcelos, sob a direção de Sérgio Pinto; Chorus Anima Populi, formado por antigos alunos dos Seminários Diocesanos de Braga, sob a direção de Júlio Dias; Grupo Coral Paroquial de Dume – Braga, sob a direção de Costa Gomes; Grupo Coral de Famalicão, sob a direção de Joaquim Mesquita; Grupo Coral Paroquial de Joane – Famalicão, sob a direção de José Carlos Azevedo; Grupo Coral Paroquial de Rates, sob a direção de José Abel Carriço; Grupo Coral do Sameiro, sob a direção de Arnaldo Vareiro. O organista geral deste encontro de coros foi Daniel Sousa.

Termino esta crónica falando do concerto de encerramento do Congresso Internacional, na Igreja de S. Paulo, em Braga, no dia 19 de novembro, sendo um dos melhores que tenho assistido ao longo da minha vida. Foi um momento artístico inesquecível que perpetuou a memória do Padre Joaquim Gonçalves dos Santos, autor da obra, ali tão bem executada, denominada “Passio et Mors Domini Nostri Jesu Cristi Secundum Lucam” (Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo S. Lucas). Foram quase duas horas seguidas em que a Orquestra e Coro do Distrito de Braga e respetivos solistas nos deliciaram com a excelente execução de uma obra que não era conhecida. Segundo o Dr. Carlos Vaz, esta obra coral-sinfónica de 1999 foi apresentada em público, neste concerto, pela primeira vez. Que alegria seria para o seu autor estar presente num momento destes!

O padre Joaquim dos Santos teve como mestre o Cónego Manuel Faria e tantos outros pós Seminário que lhe deram o principal incremento para que nele fossem criadas raízes musicais de tal maneira que, logo após a sua ordenação sacerdotal. 15 de agosto de 1962, frequentasse o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, mas em 1963 foi estudar música para o Pontifício Instituto de Música Sacra, em Roma, especializando-se em Composição, Canto Gregoriano e Órgão. Estudou, ainda, no Conservatório de Santa Cecília, em Roma, no âmbito da Interpretação Polifónica e sua Direção. A partir daí, transformou-se num talento raro a nível de música sacra, mas também na recolha e orquestrações de músicas populares. Fundou grupos corais, lecionou, dirigiu revistas, compôs dezenas de obras, em variadíssimos géneros musicais, algumas das quais foram interpretadas em Igrejas de Roma e transmitidas pela Rádio Vaticano. Faleceu no dia 24 de junho de 2008.



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