Fotografia: Red Bull Racing / Red Bull Content Pool

F1. Daniel Ricciardo regressa à Red Bull em 2023

O australiano vai ocupar o lugar de piloto de reserva e de testes dos campeões de Fórmula 1. Ricciardo deixou a Red Bull no final de 2018.

João Pedro Quesado
23 Nov 2022

O piloto australiano Daniel Ricciardo vai ser o terceiro piloto da equipa Red Bull em 2023. O anúncio foi feito esta quarta-feira, três dias após o final da temporada de Fórmula 1 de 2022.

De acordo com a equipa, liderada por Max Verstappen – o neerlandês bicampeão mundial –, Ricciardo “ajudará nos trabalhos de testes e simulação, além da atividade comercial”.

“O meu sorriso diz muito. Estou muito feliz por regressar à Oracle Red Bull Racing como terceiro piloto em 2023. Tenho muitas e boas recordações do meu tempo aqui” afirmou o piloto conhecido como ‘Honey Badger’, de 33 anos, num comunicado da equipa.

Piloto da Red Bull entre 2014 e 2018, Ricciardo conquistou sete das oito vitórias que detém na F1 durante esse período na equipa da marca de bebidas energéticas. Tornou-se num dos pilotos mais populares do desporto automóvel com a série “Drive to Survive”, da Netflix.

Daniel Ricciardo, foi piloto júnior da marca e chegou à F1 a meio da temporada de 2011, também correu pela Toro Rosso – nome antigo da AlphaTauri, equipa também detida pela Red Bull –, HRT e Renault.

Piloto da McLaren desde 2021, Ricciardo terminou a época de 2022 num modesto 11.º lugar, empatado com Sebastian Vettel, com 37 pontos, e será substituído na próxima temporada, na equipa inglesa, pelo seu compatriota Oscar Piastri.

Após a passagem relativamente bem sucedida pela Renault, o piloto australiano foi consistentemente batido por Lando Norris, o jovem colega de equipa na McLaren, acumulando consideravelmente menos pontos que o britânico em 2021 e 2022. Ricciardo queixava-se de dificuldades em adaptar-se ao monolugar da McLaren e, mais recentemente, de desconforto com a imprevisibilidade das reacções do carro – às quais Lando Norris se adaptou melhor.

Apesar da vitória no Grande Prémio da Itália de 2021, as dificuldades ditaram a separação entre Daniel Ricciardo e a McLaren, o que deixou o piloto sem lugar para 2023.

Sabe-se que o australiano nem sequer tentou obter um lugar numa equipa mais lenta, como a Haas e a Williams, e dirigiu a sua equipa de gestão a negociar com a Mercedes e a Red Bull. A intenção seria manter-se ligado à Fórmula 1 enquanto se permitia parar para compreender as dificuldades dos últimos anos.

Além disso, as duas equipas podem ter um lugar livre para competir em 2024. Entre as duas, é na Red Bull que há maiores hipóteses disso acontecer, dado que Lewis Hamilton já expressou publicamente o desejo de permanecer na F1 por mais anos e George Russell, o colega de equipa do heptacampeão, tem 24 anos e venceu, há nem sequer duas semanas, uma corrida pela primeira vez.

Essa mesma corrida que George Russell venceu ficou marcada por tensões públicas na Red Bull, entre Max Verstappen e Sergio Pérez. O mexicano tinha cedido, a pedido da equipa, o sexto lugar ao neerlandês, para que este pudesse ultrapassar os carros à frente, mas tal não aconteceu. Quando a equipa pediu a Verstappen para devolver o lugar a Pérez – para quem cada ponto extra era valioso na luta pelo segundo lugar no campeonato –, o bicampeão não o fez, ignorando a ordem de equipa durante a última volta.

Sergio Pérez acabou por ser derrotado pelo monegasco Charles Leclerc, da Ferrari, na luta pelo segundo lugar.

Para a Red Bull, o regresso de Daniel Ricciardo à casa que o formou é um reforço de valor para a equipa, que o pode usar como substituto caso algum dos quatro pilotos efetivos das duas equipas taurinas fique indisponível. Pode, por outro lado, manter a pressão em Pérez, mostrando que tem um piloto pronto a ocupar o lugar do mexicano caso este não cumpra com o que é esperado dele a nível de performance e de apoio a Verstappen.

Resta saber se, no trabalho no simulador, a Red Bull ainda encontra o mesmo Ricciardo de antes.





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