Fotografia: Avelino Lima/DM

Teóloga Cristina Inogés Sanz defende introdução de formação psico-afetiva sexual e inteligência emocional

Para a leiga nomeada para a Comissão Metodológica da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, «a formação dada até agora aos futuros sacerdotes faz deles uns heróis de banda desenhada».

Rita Cunha
18 Nov 2022

A teóloga Cristina Inogés Sanz defendeu ontem no congresso internacional sobre a problemática dos Seminários católicos a necessidade de se introduzir na formação dos futuros sacerdotes dois elementos que considerou serem importantes, ou seja, formação psico-afetiva sexual e inteligência emocional.

Segundo sustentou, o clero dos dias de hoje, na sua maioria, «não sabe como gerir a suas emoções e tomar consciência de uma solidão que não se parece nada com aquela que tinham vivido até agora». 

A questão dos alegados abusos sexuais, disse, tem gerado um desgaste psicológico e espiritual nos padres, havendo muitos, sobretudo os mais mais novos, que temem ser falsamente acusados. «A somar mais medo, há ainda muitos sítios em que não se sentem protegidos pelos seus bispos, que estão muito mais preocupados pela instituição do que pelas pessoas», disse.

Assim, Cristina Inogés Sanz defendeu a necessidade de se alterar a formação nos seminários. «Para sobreviver a esta realidade serão necessários alterar formas pastorais que já não servem ou teologias que não respondem às perguntas essenciais que se coloca a si mesmo o Homem dentro e fora da Igreja. Precisamos de pessoas que sejam capazes de saber gerir as suas emoções, saber contar as suas emoções e partilhar os sentimentos. Mais importante, pessoas que não tenham medo de ter sentimentos», disse. Para tal, acrescentou, «há que modificar profundamente a formação dos futuros sacerdotes e introduzir dois elementos até agora praticamente desconhecidos da maioria dos seminários, a formação psico-afetiva sexual e a inteligência emocional». Para a teóloga leiga que foi nomeada para a Comissão Metodológica da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, «a formação dada até agora aos futuros sacerdotes faz deles uns heróis de banda desenhada que respondem àquilo que a instituição espera deles e desenha-os como se fossem esses heróis». «E a instituição, uma vez ordenados, não costuma estar muita atenta às consequências das carências emocionais e afetivas dos seus heróis de banda desenhada», acrescentou. Segundo salientou Cristina Inogés Sanz, «estamos a falar da saúde emocional da pessoa, da sua maturidade afetiva, que, no final, terá de a construir a sós e às escondidas, sofrendo muito». «E as consequências que podem derivar daí podem ser fatais porque ele vai sentir-se como um náufrago entre o céu e a terra», acrescentou.

A inteligência emocional, explicou, é capacidade para se compreender a si mesmo, reconhecer os seus sentimentos e adotar comportamentos adequados às necessidades. «Não é reprimir as emoções. É equlibrar as emoções», disse Cristina Inogés Sanz.





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