Fotografia: Avelino Lima/DM

Diminuição de vocações e dificuldade dos custos pode levar ao encerramento dos seminários

Comissão Científica afirma que as perspetivas não são animadoras e, «se os padres estão cada vez mais velhos e não há padres novos a entrar na vida pastoral, cada vez mais as comunidades deixarão de ter um padre por perto».

Rita Cunha
18 Nov 2022

A Comissão Científica do Congresso Internacional sobre a problemática dos Seminários Católicos – “Erguendo os Olhos e Vendo”, acredita que, com a diminuição de candidatos ao sacerdócio e a dificuldade em manter os custos poderá levar ao encerramento dos seminários. 

«Nós, com as limitações e potencialidades, temos seminários em funcionamento. Mas, a procura está a reduzir-se a tal ritmo que não demorará muito tempo a não haver candidatos àqueles seminários que ainda resistem e que ainda vão continuar abertos. Os grupos demasiado diminutos de seminaristas e os encargos que implica ter uma estrutura em funcionamento obrigarão ao seu encerramento», disse Manuel Pinto, a quem coube apresentar o documento.

Assim, salientou ainda, as perspetivas não são animadoras e, «se os padres estão cada vez mais velhos e não há padres novos a entrar na vida pastoral, cada vez mais as comunidades deixarão de ter um padre por perto».

Segundo o documento, a formação dos presbíteros, apesar careça de instituições próprias, ganha em ser feita num entrosamento muito maior num acompanhamento das comunidades de fiéis.

Por outro lado, «não faz sentido em insistir em modelos pensados para um mundo e uma realidade que estão em vias de desaparecer ou já não existem».

Desta forma, sustentam os membros da comissão, é preciso que o presbítero passe de representante de Cristo, de um corpo clerical a líder de comunidades; que passe de um modelo de liderança centrado em poderes e atitudes de governo a um modelo de acompanhamento da comunidade no caminho comum; que passe da separação à conjugação dos seus contemporâneos no quotidiano; que passe da uniformidade à pluralidade; e que passe da imposição à escolha.

No texto lido por Manuel Pinto sustenta-se ainda a ousadia de ensaiar caminhos novos que correspondam às necessidades diversas na formação.

A par disso, realçou ainda, «há temáticas que não podem estar ausentes da formação de presbíteros», dando como exemplos a questão do poder e do serviço, a questão da escuta e da leitura dos sinais dos tempos, a questão dos direitos humanos.





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