Espaço do Diário do Minho

Ambientalismo e activismo nas escolas

17 Nov 2022
José de Carvalho

Nos últimos dias, as televisões noticiaram a «invasão» de estabelecimentos de ensino do País. Fecharam-se escolas e impediu-se o normal funcionamento das instituições. De acordo com as notícias, os estudantes passaram a «jovens ambientalistas» ou «activistas».

Segundo os jovens, é necessário alertar para o que se passa com o meio-ambiente. Um assunto que a todos preocupa. Afinal, a saúde da nossa «casa comum» merece todo o cuidado. Até aqui, como se percebe, estamos todos de acordo. Os da cidade e os do mundo rural. Os estudantes e os trabalhadores. Os mais novos e os mais velhos. Os mais informados e os menos informados.

Além do mais, todos nós, que já fomos jovens, reconhecemos que há alturas na vida em que a irreverência e a vontade de lutar por um ideal se sobrepõe a tudo o resto. Neste sentido, não fico escandalizado, como alguns, com a postura dos jovens ou a manifesta incapacidade de se expressarem perante as câmaras de televisão. E como convivo, diariamente, com jovens, gabo a coragem daqueles que acreditam num ideal e estão dispostos a lutar por ele.

A propósito da rapaziada que invadiu as escolas e universidades, na sua maioria, anda preocupada com o meio ambiente, mas não dispensa a boleia nos belos e potentes carros dos pais. São contra os combustíveis «fósseis», mas esquecem que o carro eléctrico que o papá comprou anda a baterias de lítio. O que não dizem – ou não sabem – é que a mineração do lítio é das mais poluentes do meio ambiente e que o fabrico de um carro eléctrico produz mais CO2 do que um carro a gasolina. Também não dizem – ou não sabem – que enquanto as baterias dos «carros poluidores» são recicláveis, as de lítio, por exemplo, não o são! Ou seja, quando acaba o seu tempo de existência num carro eléctrico, é atirada para uma lixeira e aí fica a decompor-se, contaminando terrenos e águas. Também não dizem que a substituição de uma bateria de lítio é quase tão cara como comprar um carro novo. Em suma, haverá mais carros a serem reciclados ou abandonados porque não vale a pena substituir baterias quando um carro novo custa pouco mais do que o arranjo. Ou seja, esta mesma rapaziada que anda preocupada com o meio ambiente, esquece que o ideal seria viajar em transporte público, coisa que poucos fazem. O mesmo para os arautos adultos do «ambientalismo». São os mesmos «ambientalistas» que não dispensam os célebres iPhones, de várias centenas de euros e altamente poluentes, nem as tintas no cabelo e as tatuagens no corpo. Sem esquecermos as idas constantes ao Mc-Donald’s, à Pizza Hut e outros locais pouco «ecológicos» e «amigos do ambiente».

Posto isto, os jovens lutam, claramente, pela causa do ambientalismo. Os mais velhos, que os manipulam, limitam-se ao puro activismo doentio, recuperando o ideal «revolucionário de vanguarda» que, durante anos, caracterizou o BE e que foi abandonado durante os anos da «geringonça», num verdadeiro «aburguesamento» do Bloco.

A chatice dos diabos, como temos visto, é a real instrumentalização a que sujeitam os mais novos. Neste ponto, os partidos de extrema-esquerda explicam. A Catarina Martins, do BE, percebeu tudo e desde o início permitiu-nos entender o que está em causa.

Pior do que tudo isto, é verificar como estes miúdos foram instrumentalizados para a luta político-climática através de uma potente campanha do medo. Estes jovens, e desde tenra idade, foram convencidos por políticos, e não por cientistas, que o mundo pode acabar antes de eles crescerem. Os miúdos estão desesperados. Eu, que tenho filhos em casa, sei o enorme esforço despendido para lhes incutir esperança no futuro e combater o «clima» de desespero pelo fim do planeta. Há uma certeza: independentemente da discussão científica sobre o que é preciso fazer para melhorar o planeta, está esta verdadeira campanha do medo que os nossos filhos carregam e que nada tem de científico.

Os jovens não têm culpa por lhes terem vendido a ideia que o mundo está condenado. A culpa é de quem, ao arrepio da ciência, por pura conveniência política, está disposto a aterrorizar toda uma geração só para ter uma plataforma política com apoio e ampla cobertura mediática.

Mas há mais, nestes novos tempos, de maioria absoluta do PS e da insignificância parlamentar, local e mediática do BE, com o apoio de todos os outros partidos, usam-se as velhas estratégias revolucionárias de encontrar «braços armados», neste caso junto dos jovens, para tentar salvar o movimento bloquista. Movimento que se encontra em decadência clara, não apenas pela maioria absoluta do PS de A. Costa, à custa dos votos do BE, mas também pela promessa do PCP regressar à rua, com reivindicações sindicais da CGTP e com o «novo» («novo» na idade e no mediatismo, mas velho, muito velho na estratégia e no discurso) Secretário-geral do partido; além de uma direita que estará na rua a partir de 2023 com o movimento «Solidariedade».

Finalmente, para os mais distraídos, as invasões/ocupações das escolas e universidades nunca foram uma preocupação científica pelo ambientalismo, mas o cumprir de uma agenda «pulhítica» e de puro fanatismo/activismo. Não estão preocupados com o clima. Usam-no para os seus objectivos ideológicos e para o combate político.

Posto isto, pelo que se vê, após o «arrumar» da questão do OE2023 e dos «casos» e «casinhos» que envolvem os membros do (des)Governo nacional, os novos tempos políticos prometem dinamismo, interesse e vivacidade. Oxalá que se saibam aproveitar em prol de Portugal e das nossas muitas e boas gentes. Até lá, deixem os nossos filhos em paz e as escolas sossegadas.

Os Portugueses bem o merecem!



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