Fotografia: Francisco de Assis

Ministro destaca papel central dos médicos no SNS

O governante admite que um dos problemas do SNS é a falta de recursos humanos, mas também de infraestruturas e equipamentos nas periferias.

Francisco de Assis
12 Nov 2022

O Ministro da Saúde participou ontem na cerimónia de encerramento do 25.º Congresso da Ordem dos Médicos, que decorreu no Espaço Vita, em Braga, sob o tema “Saúde em Mudança”. Na sua intervenção e em conversa com os jornalistas, Manuel Pizarro destacou o papel central dos médicos para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) seja mais «robusto», mais «humano» e chegue a todos os portugueses, independentemente do local de residência, na periferia ou nas zonas urbanas de Portugal.

«É preciso reativar o espírito do SNS dos anos 70. Ele é hoje tão necessário como nos anos 70. Não é que não tenha evoluído. Progrediu, mas Portugal continua a ser marcado por profundas desigualdades, com uma mancha de pobreza excessiva e com territórios distintos em termos de desenvolvimento para garantir os cuidados de saúde iguais para todos. E isto só pode melhorar com o empenho dos profissionais de saúde, designadamente dos médicos, que têm um papel central em todo este processo», afirmou.

O governante admite que um dos problemas do SNS é a falta de recursos humanos, mas também de infraestruturas e equipamentos nas periferias.

Manuel Pizarro foi confrontado com declarações de autarcas e profissionais de saúde dos hospitais periféricos, queixando-se precisamente da falta de investimento em infraestruturas e equipamentos, fatores que são inibidores da fixação de jovens médicos no interior.

Algarve, Cova da Beira, Bragança e Portalegre foram algumas das regiões do país que se queixaram, ao abordar o tema “Hospitais periféricos, presente e futuro». Algarve lembrou o desiquilíbrio com a chegada de cerca de 5.5 milhões de turistas por ano, que também são atendidos nos hospitais locais.

Os responsáveis dos hospitais da periferia abordaram ainda a possibilidade de cooperação transfronteiriça na área médica, o que não acontece até agora. 

Lamentaram as notícias sobre a possibilidade de encerrar maternidades no interior, causando ainda mais desertificação.

O ministro da Saúde considerou que o encerramento de maternidades é «uma falsa questão».

Manuel Pizarro admite que nem tudo está bem, que é preciso continuar a investir em equipamentos e infraestruturas em regiões fora dos grandes centros urbanos. E deu exemplo de Braga, como as coisas evoluíram muito nos últimos anos.

«Temos o exemplo da bela cidade de Braga, onde este congresso se realizou. Tem um hospital de excelência, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista hoteleiro. Basta lembrarmos coomo era o velho hospital de Braga».

Pizarro descartou, pelo menos nos próximos tempos, o regresso a uma gestão Público-Privada.   





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