Fotografia: Município de Braga

Bastonário da Ordem dos Médicos prioriza combate às desigualdades sociais na saúde

Considerando o SNS como «absolutamente essencial», o bastonário reafirmou que «não o podemos deixar cair», mas devemos ter uma cooperação mais eficaz e mais regulada.

Carla Esteves
12 Nov 2022

O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou, esta sexta-feira, que o combate às desigualdades na saúde deve ser uma das grandes prioridades e desafios a enfrentar no nosso país. Miguel Guimarães falava na sessão de abertura do 25.º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, que ontem, decorreu, em Braga, sob o tema “Saúde em Mudança”.

Numa altura em que a saúde em Portugal atravessa «grandes desafios», tendo como grande objetivo modernizar o Sistem Nacional de Saúde (SNS), e em que o país enfrenta uma grave crise no acesso aos cuidados de saúde, Miguel Guimarães, apontou, em Braga, quatro desafios que devem constituir as prioridades neste caminho de modernização, apelando ao papel dos médicos na reflexão e na ação.

 «As pessoas desfavorecidas constituem um dos grandes desafios que nós temos em Portugal, e do qual raramente se fala. Há grandes desigualdades sociais, que se estão a acentuar. Há pessoas que precisam da nossa ajuda e  requerem uma intervenção global da sociedede, mas também dos profissionais de saúde, do Ministério e de todas as pessoas ligadas à saúde»,  considerou.

Considerando o SNS como «absolutamente essencial», o bastonário reafirmou que «não o podemos deixar cair», mas devemos ter uma cooperação mais eficaz e mais regulada, mais fiscalizada com o setor privado e com o setor social sempre necessário para podermos dar a resposta que os portugueses precisam.

«Quando nós tivermos a questão do acesso ao SNS resolvida, podemos  passar a falar dos resultados, da qualidade do que estamos a fazer», disse.

Depois de apontar como primeira prioridade  o combate às desigualdades sociais em saúde, o bastonário considerou que o segundo desafio passa por definir políticas específicas (com pacotes de incentivos ou não) para as regiões mais periféricas, carenciadas e desfavorecidas. 

«Para captar pessoas para estas zonas o Estado tem que fazer mais do que aquilo que tem sido feito», afirmou.

Como terceira prioridade Miguel Guimarães apontou uma aposta clara na prevenção da doença e na promoção da saúde, bem como na literacia e educação das pessoas

Na sua intervenção, Miguel Guimarães manifestou também que partilha da posição de Ricardo Rio, e que defende que as Câmaras Municipais «têm condições  para fazer mais», apontando a descentralização como um veículo para «estar mais próximo das pessoas, conhecer melhor os desafios das várias regiões e ter uma intervenção útil».

Governo tem que ouvir autarcas 

Questionado acerca da possibilidade de encerramento da maternidade do Centro Hospitalar do Médio Ave, em Famalicão, Miguel Guimarães, disse que acredita que «nenhuma maternidade vá encerrar».

Embora considere que a concentração de serviços de urgência obstétrica pode ter aspetos positivos, o bastonário da Ordem dos Médicos deixou críticas ao facto do Governo não envolver os autarcas nas decisões.

«Nunca se deve tomar nenhuma decisão, mesmo que seja concentração de serviços de urgência, que pode ser positiva, sem, primeiro, ser falada com os presidentes de Câmara», argumentou o bastonário, considerando «um erro» o Governo «ignorar o papel dos autarcas nesta matéria, que tem uma importância fundamental».

Sobre  a possibilidade de encerramento da maternidade de Famalicão, o bastonário afirmou que não acredita que alguma maternidade vá encerrar, esclarecendo que o que deverá acontecer são «algumas modificações no horário de abertura dos serviços de urgência». 

Miguel Guimarães explicou que a concentração de serviços implicará que, no período noturno e ao fim de semana, as grávidas da zona de Famalicão, Santo Tirso e Trofa recorram ao serviço de urgência do Hospital de Braga ou Guimarães. 

A comissão de acompanhamento responsável por apresentar uma reforma para as maternidades propôs o fecho de várias urgências de ginecologia e obstetrícia, uma delas a do Centro Hospitalar do Médio Ave, em Famalicão, onde são feitos, em média, 1200 partos por ano.

Reconquistar a confiança e respeito dos profissionais de saúde

Miguel Guimarães  afirmou que urge renovar a confiança e o respeito dos profissionais de saúde. 

Para tal, defendeu «uma política de saúde consistente e objetiva, compreensível  para todos e para quem cuida de todos nós» e pediu ao Estado Central que esteja no terreno com os médicos, para perceber as suas necessidades de equipamentos, que “vistam a bata” e vivam os desafios dos profissionais de saúde.





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