Fotografia: Avelino Lima/DM

Política de acolhimento deve direcionar imigrantes para o mercado de trabalho

A presidente da UAI afirma que em Braga há brasileiros «altamente qualificados» a trabalhar como serventes na restauração ou como operadores de telemarketing porque não conseguiram arranjar trabalho na sua área.

Jorge Oliveira
10 Nov 2022

A inserção dos imigrantes (no caso os brasileiros) no mercado de trabalho português esteve também em destaque no debate do programa da DMTV, moderado pelo diretor do Diário do Minho, Damião Pereira.

O deputado municipal José Eduardo Gouveia defendeu que os municípios, além de informação, devem promover «políticas de preparação dos imigrantes» para que eles possam iniciar uma nova vida profissional, «sem cair na pobreza».

O associativismo também «é fundamental» neste processo de acolhimento e integração, acrescentou José Eduardo Gouveia, concluindo que «a comunidade bracarense está a assumir-se como um modelo de integração de imigrantes».

A este propósito, o deputado municipal Joaquim Barbosa sublinhou a importância do imigrante vir preparado do seu país de origem, para se poder instalar e viver em Portugal com «dignidade» enquanto não arranja trabalho.

São os mais qualificados e que procuram emprego nas suas áreas quem se deparam com mais dificuldades de colocação no mercado de trabalho, disse Alexandra Gomide, segundo a qual os brasileiros que vêm «sem grandes expetativas» em relação ao que vão fazer «encaixam-se rapidamente, seja em fábricas, em unidades de restauração ou telemarketing».

A presidente da UAI,  que é professora de Cálculo Integral Diferencial (um dos principais ramos da Matemática), deu nota que em Braga há brasileiros «altamente qualificados» a trabalhar como serventes na restauração ou como operadores de telemarketing porque não conseguiram arranjar trabalho na sua área.

Segundo Joaquim Barbosa, isso acontece porque às vezes os imigrantes não têm tempo de procurar emprego na sua área diante dos encargos do dia a dia e sujeitam-se a trabalhos menos qualificados. Daí ser necessário uma política de acolhimento que os direcione corretamente para o mercado de trabalho, defendeu o deputado municipal. 

Alexandra Gomide acrescentou que é preciso também tornar menos demorado o reconhecimento das formações dos imigrantes qualificados.   

Olhar sobre a situação política

 No programa veio ao de cima também o momento político que se vive no Brasil, marcado por contestações de rua em várias cidades brasileiras.

Para a presidente da UAI, as manifestação estão a acontecer porque as pessoas «sentem-se lesadas» e querem a «reavaliação do processo da eleição» para que haja «transparência».

«O resultado foi a consequência de um processo errado», considerou, acusando a imprensa internacional de «não mostrar o que está a acontecer no Brasil».

José Eduardo Gouveia considerou que seria uma «irresponsabilidade» e «muito grave» o presidente eleito em 30 de outubro, Lula da Silva, não ser empossado no dia 1 de janeiro de 2023. 

 «Seria em vexame internacional para o Brasil que nós, com a afinidade que temos, nem sequer queremos considerar», acrescentou o deputado municipal do PS.

Joaquim Barbosa não colocou em causa legitimidade do vencedor das Presidenciais do Brasil, mas considerou que Lula da Silva vai ter muitas dificuldades em governar, porque as promessas que ele anunciou já para o próximo ano obrigam a uma alteração orçamental de 200 mil milhões de reais e o seu partido não tem maioria no Senado e na Câmara de Deputados Federal para aprovar.

Quanto ao processo eleitoral, o deputado municipal considerou que o Tribunal Superior Eleitoral «condicionou muito o resultado das eleições». . 

Alexandra Gomide acredita que o fluxo migratório de brasileiros poderá acentuar-se com Lula da Silva na Presidência do Brasil.





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