Espaço do Diário do Minho

A ciência e a vida com sentido no futuro

10 Nov 2022
Abel de Freitas Amorim

Desde a Idade Moderna e Idade Contemporânea, esta considerada com início na Revolução Francesa, até aos nossos dias, a ciência e a tecnologia tiveram e continuam a ter um enorme desenvolvimento. Desenvolvimento este que muito tem contribuído para a vida, direta ou indiretamente, de toda a Humanidade. Lembremos apenas a designada “Era Digital” em que, mais ou menos, todos estamos mergulhados. Esta, bem como a ciência e a tecnologia se mal e erradamente utilizadas pelo Homem, em vez de contribuírem para o seu bem-estar e para o bem comum, contribuem para a sua degradação ética, moral e Humana e até para sua destruição ou morte. Neste último caso, para além dos efeitos negativos na ecologia, ambiente e consequentes alterações climáticas, pensemos nas armas atómicas, também designadas de destruição massiva, capazes de destruírem toda a vida à superfície da Terra em muito poucas horas.

Por outro lado, o desenvolvimento e avanço da ciência e da tecnologia tem servido e ainda bem para colocar em causa correntes de pensamentos e teorias, quase todas em oposição à metafísica e ao transcendente, tomadas por muitos como verdadeiras, principalmente desde a Idade Contemporânea. Consideremos, entre outras, a teoria de Charles Darwin, relativamente à origem do ser Humano. É verdade que o ser Humano ao longo dos tempos tem evoluído cultural e socialmente mas a vida, a morte, a tristeza e a felicidade são dimensões que permanecem inalteráveis desde os tempos mais longínquos em que há dados fiáveis do conhecimento Humano. Face à teoria de Darwin, sabe-se que a partir do ADN humano, cujo modelo estrutural foi proposto em 1953 por Watson e Crick, mais recentemente com o auxílio dos testes de carbono, é possível caracterizar cada espécie e determinar a sua própria constituição genética. Assim, comparados que foram os genomas do ser Humano e o genoma dos macacos (símios ou primatas), verificou-se que a ciência nos deu um enorme contributo ao pôr em causa e até anular a teoria de Darwin, relativamente à origem do Homem. Mais recentemente, investigadores científicos estão a colocar em causa a teoria do Big Bang, relativamente ao início do Universo. Esta teoria muito baseada na Física quântica dava-nos ou parecia estar muito perto de nos dar a informação de que o Universo e tudo o que o rodeia, que apenas em pequeníssima parte conhecemos, foi criado a partir de uma explosão massiva no tempo. Ora isto parece não passar de uma teoria filosófica causal que tem, naturalmente, implicações importantes para a natureza do universo e do tempo, em si, mas não é mais do que uma manifestação da teoria física que, em nosso entender, poderemos enquadrar no conceito da teoria “evolucionista”. Segundo os cientistas, o Big Bang na teoria das singularidades não pode existir porque é impossível que a matéria se comprima em pontos infinitamente minúsculos, visto eles não poderem ficar menores do que o tamanho de um átomo do espaço-tempo.

Estes mesmos investigadores científicos concluem que o Big Bang não seria o início já que o conjunto causal estaria no passado, existiria sempre antes e, por isso, são levados a concluir que o Universo ou sempre existiu ou não é possível determinar o seu início. Aqui chegados, teremos nós de concluir que se o Universo sempre existiu ou teve um início que não é possível determinar porque, de acordo com os mesmos cientistas, existe antes do nosso conhecimento. Logo, filosoficamente estamos perante um conhecimento a priori que está antes de todas as experiências, de todas as coisas e de todo o conhecimento Humano. Sim, sendo um conhecimento a priori, conhecimento antes de todas as coisas e de todo o conhecimento, nesta dimensão, só Deus existe e sabe. O mês de Novembro, o mês das almas, impele-nos para uma reflexão sobre o Mundo que nos rodeia, a vida e o sentido da vida. É verdade que o relativismo dos nossos dias, que está na moda, apela-nos para que sejamos guiados por qualquer vento de doutrina ou teoria, em grande parte utilitaristas, de modo a construírem em permanência uma “ditadura do relativismo”, em prol do interesse de alguns mesmo que, para tal, tenham de derrubar a virtude, a ética e a moral de todos os tempos, bem como tudo que é inerente à dimensão do transcendente. Relativamente a uma vida com sentido no futuro, consideramos que há duas formas de viver, quando com razão e em liberdade, em caso contrário não seremos responsáveis. Uma é uma vida em que o viver apenas tem sentido na vida concebida e em que tudo se finda com a morte. Outra é uma vida em que o viver tem o sentido da vida que vai para além da morte. A primeira, não deixando o comum dos mortais uma marca de excelência na história da sua vida, sempre efémera na grande maioria, apesar da sua eventual riqueza material, todo o seu viver transforma-os, desde já, em defuntos vivos. A segunda, mesmo que as suas vidas não tenha a marca da excelência ou da santidade, caminham com o horizonte em Jesus Cristo e, como tal, vivem na humilde comunhão com todos os Santos, na fé e na esperança na vida eterna que é uma vida espiritualmente sem fim.



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