Espaço do Diário do Minho

Nos 450 anos do Seminário Conciliar de Braga, uma grande prova de gratidão

28 Out 2022
Salvador de Sousa

Assisti, no dia 21 de outubro, na Igreja de S. Paulo, em Braga, a um concerto dos 450 anos do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, denominado “Laudare Deum”, sob a orientação da Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica de São Frutuoso, como que, a meu ver, um Louvar a Deus pela grande semente de músicos que foram formados, ao longo dos tempos, nos Seminários Diocesanos de Braga. Uma sentida prova de gratidão a tantos que, no passado e no presente, nos apresentam lindas melodias, ajudando-nos a viver melhor o sentido da nossa fé.

Foram interpretadas obras de relevantes músicos que passaram pelos Seminários de Braga, a saber: Jorge Barbosa, meu condiscípulo, com 4 cânticos dedicados à Solenidade de S. Pedro e S. Paulo e, ainda, o Hino dedicado a S. Bartolomeu dos Mártires; Manuel C. Alaio, Rainha da Paz; Alberto Brás, Santa Luzia; Aurélio Ribeiro, Rainha Padroeira; José Lima Torres, Carrilhão de Fátima; Josué Trocado, Senhor Eu Não Sou Digno; José da Silva Lima e António Luís Esteves, meu condiscípulo, Fazei Brilhar Sobre Nós; Manuel Faria, Divino Hóspede e Súplica; David Oliveira, Aos Pés da Virgem e Mãe da Igreja; Manuel Faria Borda, Bendito e Louvado Seja; Hermenegildo Faria e Eurico Carrapatoso, Feliz o Homem e Ao Serviço Do Mistério – Hino em Honra do atual Arcebispo de Braga, Dom José Cordeiro.

Foi um momento de homenagem ao chamado “Viveiro de Músicos” que os solistas, coro, órgão (Daniel Ribeiro), piano (Daniel Ribeiro) e orquestra da Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica de S. Frutuoso, sob a direção artística de André Carvalho, tão bem nos deliciaram.

Entrei no Seminário em 1966 e, logo no meu 1.º ano, não faltavam incentivos para iniciar a aprendizagem, sobretudo, de piano, órgão, canto e, ainda, a parte teórica e a prática do solfejo nas aulas de Educação Musical, ministradas por competentes professores. Recordo, com muita saudade, o Padre Manuel Faria Borda, uma das figuras muito sábias nesta tão frutuosa arte que nos ensinou e nos desenvolveu, pondo à nossa disposição o seu saber nos variados ramos que a arte musical contém. Ainda hoje, sinto uma lacuna por não saber tocar órgão ou piano, coisa que sempre tentei no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, mas havia, nessa altura, 430 alunos, sendo impossível todos terem acesso a essa pretensão, mas recebemos uma formação geral digna de apreço.

Quero acentuar, aqui, o orfeão dos Pequenos Cantores da Imaculada, a 4 vozes, formado por cerca de uma centena de seminaristas, que o Padre Manuel Faria Borda fundou, em 1944, no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, ao qual pertenci nos quatro anos de frequência nesta grande casa de formação. Cantamos várias obras musicais da autoria do P. Borda, mormente a sua missa de Santa Luzia (1966), interpretada, pela primeira vez, na festa da Senhora das Dores na Igreja dos Congregados, juntamente com uma orquestra do Porto. O orfeão deslocou-se a muitas igrejas da cidade, ajudando a solenizar momentos festivos; gravou, em disco, variadas obras do seu diretor e maestro; atuou, algumas vezes, em salas de espetáculo…

Termino, hoje, esta crónica, com um louvor ao meu condiscípulo, Dr. José Abel Carriço e ao Cónego José Paulo Abreu pela obra que nos apresentaram, lembrando os nossos prestigiados músicos, com a sua formação inicial nos seminários da diocese de Braga, que tanto trabalharam para que, ao longo dos tempos, tivéssemos um tesouro de obras musicais inapagáveis no memorial das nossas gentes. São mais de quatro centenas de páginas que nos apresentam 31 músicos com alguns trechos das suas obras.

Na próxima crónica, escreverei sobre tantos outros músicos do passado e do presente e de tantas outras ações e valores que os Seminários sempre procuraram ministrar, dando a todos uma plena formação inserida em valores que sempre procuram dignificar a sociedade com estas vertentes tão enriquecedoras.



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