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Morreu o criador de “Dartacão”, “David, o gnomo” e “A volta ao mundo de Willy Fog”

Os media espanhóis noticiaram a morte de Cláudio Biern Boyd aos 82 anos.

Redação/Lusa
18 Out 2022

Cláudio Biern Boyd morreu esta segunda-feira, aos 82 anos, noticiaram os media espanhóis. O espanhol foi o criador de séries de animação como “Dartacão e os três moscãoteiros”, “David, o gnomo” e “A volta ao mundo de Willy Fog”.

Cláudio Biern Boyd nasceu em Palma de Maiorca em 1940 e foi guionista, animador, realizador e empresário. Na década de 1970, fundou o estúdio de animação BRB Internacional, que inicialmente era uma empresa de licenciamento e distribuição de séries de animação. Biern Boyd esteve durante décadas à frente do BRB, através do qual criou várias personagens que marcaram sobretudo a década de 1980 e que lhe valeram o epíteto de Walt Disney espanhol.

A série “Dartacão”, exibida pela primeira vez na RTP em 1983, um ano depois de se ter estreado em Espanha, tem na base o romance de Alexandre Dumas, “Os Três Mosqueteiros”, publicado originalmente em 1844. «Há muitos anos, quando nasci, não havia televisão, o que fez com que me tornasse um devorador de livros. E os livros que havia naquela época eram de [Alexandre] Dumas, [Julio] Verne, [Emilio] Salgari, Charles Dickens… E o Dartagnan cativou-me. Eu conseguia vê-lo, era muito imaginativo», partilhou, em entrevista à agência Lusa, em julho do ano passado.

No final de década de 1970, quando estava a iniciar-se no «negócio das séries de animação», Cláudio Biern Boyd lembrou-se de pegar numa história conhecida «porque é muito diferente chegar à RAI, à RTP ou à BBC com a história de Dartagnan ou com a história de Joana e Claudio, que não lhes interessa nada».

O criador estabeleceu, como em todas as suas séries, que «haveria muita ação, mas não violência» e que o protagonista seria um cão, escolha que teve dois motivos. «Se uma criança vê um desenho animado que tem a figura de um homem a lutar com outro com espadas, pode acontecer que na escola pegue num pau e outra criança também e comecem a lutar, mas se virem animais antropomórficos, que agem como não agiriam, tal não acontece», justificou.

Outro «motivo muito importante» para adaptar a história com cães como personagens «foi económico e de tempo». «Fazer o desenho de um cão é muito mais rápido e mais barato do que fazer o de um ser humano», admitiu.

Na altura, recordou, pegou em 25 pesetas, a moeda espanhola antes do euro, e comprou uma enciclopédia de cães. «Então à medida que fui criando as personagens ia vendo que raça usar», contou. A enciclopédia serviu para desenhar praticamente todas as personagens, menos duas: os vilões Milady, uma gata, e Richelieu, um graxaim-do-campo, também conhecido como raposa dos pampas. «Porque não gosto de gatos e porque os graxaim-do-campo são aterradores», partilhou.

Quando questionado a que se deve o sucesso que a série teve na década de 1980, Claudio Biern Boyd confessou não ter «uma resposta concreta». «Surpreendeu-me também a mim. Vendemos a série a mais de cem países em todo o mundo e passou em mais de 300 cadeias de televisão. Ainda dá em vários países e continua a ter êxito e aceitação entre as crianças. Penso que 60% a 70% do êxito deve-se ao guião. O senhor Dumas escreveu uma grande novela, porque tem de tudo: tem ação, tem bons, tem maus, tem amor, suspense, enganos», referiu.

Em Portugal, além de “Dartacão”, foram também exibidas na RTP as séries “David, o gnomo”, “Rui, o pequeno Cid” e “A volta ao mundo de Willy Fog”. No ano passado, chegou aos cinemas “Dartacão e os três moscãoteiros: o filme”.

Cláudio Biern Boyd realizou também filmes não animados para televisão, como “La memoria del agua”, e ainda outros formatos como “A volta ao mundo de Willy Fog, o musical” e o concurso “Los sabios”. Além disso, foi diretor do clube de futebol Espanhol de Barcelona, entre 1986 e 1989, 1993 e 1994, e 2004 e 2006. Ao longo da carreira recebeu mais de 40 prémios, como o Prémio Talento Extraordinário da Academia de Televisão 2017, Melhor Comunicador com as Crianças, do Festival Internacional de Comunicação Infantil em Chupete, em 2014, e a Medalha de Trabalho Presidente Macia do Governo da Catalunha, em 2011.





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