Fotografia: Francisco de Assis/DM

Fundação Mestre Casais quer contribuir para sustentabilidade da construção em Portugal

Eduardo Oliveira Fernandes acredita que o livro é relevante para o país, que demora a perceber os edifícios como “atores” do ambiente.

Francisco de Assis
15 Out 2022

O Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho (UMinho), em Braga, acolheu ontem o lançamento do livro “Edifícios de elevado perfil ambiental em Portugal”, da autoria de Eduardo de Oliveira Fernandes e Hugo Santos. Os intervenientes na sessão esperam que o livro seja uma «pedra no charco», sirva de reflexão e faça despertar consciências para uma mudança de paradigma da construção em Portugal.

A sessão contou com a presença de António José Rodrigues, CEO do GRupo Casais; José Mendes, presidente executivo da Fundação Mestre Casais; Manuela Martins, da diretora da editora UMinho; de Eduardo de Oliveira Fernandes, um dos autores da publicação, para além de amigos, familiares, bem como colaboradores do Grupo Casais e interessandos no fenómeno da construção civil e da sustentabilidade ambiental.

Na sua intervenção, o CEO do Grupo Casais mostrou-se satisfeito com  a publicação de mais este livro, recordando que na sua maioria, o conteúdo do livro foi uma reflexão interna do próprio grupo, mostrando toda a sua preocupação para com a  construção em Portugal, que muitas vezes não tem em conta o respeito e o bem-estar daqueles que vão usufruir do espaço e muito menos com a suatentabilidade ambiental.

Por isso, António José Rodrigues entende que esta publicação visa precisamente dar esse contributo.

Eduardo Oliveira Fernandes começou a sua intervenção agradecendo à Fundação Mestre Casais e ao Grupo Casais por permitir aos autores abordar o tema da suatentabilidade e lançar pistas que possam servir não só para reflexão, mas sobretudo para colocar em práticar aquilo que está no livro.

Lamentou a susência do co-autor, Hugo Santos, e do arquiteto Siza Vieira, que por motivos de doença não esteve presente.

E o professor emérito da Universidade do Porto não foi nada meigo nas suas observações como  diferentes governates têm conduzido ou permitido a política construtiva em portugal.

Um livro relevante para Portugal

«Cremos que o nosso livro seja relevante para o país, qual “pedra no charco”, onde os edifícios têm levado tempo a ser compreendidos como verdadeiros “atores” do ambiente, at large, isto é, interior  e exterior, em grande escala, para além das tecnologias que, sem as rejeitar, deverão ser usadas de acordo com o progreso das necessidades, mas do conhecimento holístico, isto é, global», disse.

E deixou uma questão com elevada dose crítica: «Seremos nós capazes de, a partir daqui, ajudar à mudança da corrente forma de uso da energia em Portugal, que continua a ser, miseravelmente sem, há que dizê-lo sem excesso de medo, gerida política e profissionalmente sem ética nem vergonha», afirmou.

E apontou como mau exempo, as cosntruções do “Parque Escolar”, que a ministra de Educação de então, Maria de Lurdes Rodrigues, disse que tinha sido uma festa.

As «imagens em obra são uma vergonha para os esclarecidos e de sofrimento para os utentes», apontou, dando exemplo de escolas cujas fachadas são todas em vidro, sem qualquer sombra exterior.

Também por isso, falou na importância do planeamento urbano, da orientação do edifício. Com este livro, «procura-se, antes de mais, sugerir novos parâmetros para quem tem de financiar, desenhar, construir e gerir o construído do futuro com toda a sensibilidade, conhecimento e ética, em nome de dois objetivos ingorados»: o respeito pela saúde e bem-estar dos cidadãos e o respeito pelo ambiente natural, local e global, numa atitude de civilidade por parte de todos.

O livro refere exemplos de como a «racionalidade energética foi ignorada».

Por seu turno, José Mendes deu alguns dados sobre a importância de construções sustentáveis, até para a diminuição do efeito de estufa, falando a eficiência energética, no conforto térmico.

No final, ainda houve espaço a uma questão de atualidade. Ou seja, se o governo, com tanto dinheiro que pretente investir do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), vai ter em conta as questões ambientais na hora de decidir as construções, a pensar nas pessoas.





Notícias relacionadas


Scroll Up