Fotografia: Miguel Viegas

Ponte de Lima quer reforçar a ligação entre produtores de vinho e restauração

Valorização dos recursos locais para a dinamização da economia.

Luísa Teresa Ribeiro
9 Out 2022

Estreitar a relação entre os produtores de vinho e o setor da restauração foi o mote para um jantar vínico que decorreu no Paço de Vitorino, em Vitorino das Donas, Ponte de Lima.

A iniciativa foi promovida pela Câmara de Ponte de Lima, no âmbito do projeto “Loureiro do Vale do Lima – um vinho, um território, um destino”, desenvolvido em conjunto pelas autarquias limiana, de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Viana do Castelo.

O encontro reuniu autarcas, produtores de vinho, empresários da restauração e agentes ligados ao turismo em torno dos vinhos da Adega de Ponte de Lima, Casa do Barreiro, Casa da Cuca, Quinta do Ameal e Paço de Calheiros, com animação musical a cargo de Diogo Penha.

O vice-presidente do Município de Ponte de Lima inseriu este evento numa estratégia de valorização dos produtos endógenos, defendendo o estabelecimento de sinergias entre os empresários para a criação de riqueza a nível local. «Em termos de sustentabilidade ambiental, social e económica, precisamos de criar mais conexões entre os nossos empresários», afirmou Paulo Sousa.

O autarca argumentou que o Vale do Lima poderá proporcionar aos visitantes «experiências únicas e marcantes» se aliar os vinhos à gastronomia.

Este responsável enfatizou a cooperação entre as quatro câmaras municipais no âmbito deste projeto, defendendo que é importante trabalharem em conjunto não só para a valorização do Loureiro, mas também para o desenvolvimento do Vale do Lima como um todo, do Atlântico ao Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Foi precisamente nesta lógica de valorização dos recursos turísticos locais que o jantar vínico decorreu nos jardins do Paço de Vitorino, um ex-líbris da oferta de solares do concelho de Ponte de Lima.

A origem desta construção remonta a 1545, estando há quase 500 anos na mesma família, os Abreu Lima Pereira Coutinho. «O primeiro membro da família que se estabeleceu aqui foi António Ramos, depois de ter ido na cruzada para o Perú com o espanhol Francisco Pizarro. Lá casou com uma princesa Inca, mas acabou por voltar para Viana do Castelo, tendo-se depois fixado em Ponte de Lima», conta Clara Coutinho, atual proprietária.

A casa teve o seu esplendor máximo no século XVIII, com a construção da frontaria e escadaria barrocas. O jardim barroco é outra das preciosidades desta propriedade.

No século XIX, estes aristocratas apoiaram a causa de D. Miguel, tendo a casa sido tomada por populares e incendiada, sendo que ainda é possível ver as marcas do incêndio. No final desse século houve um novo período de apogeu, com a reconstrução da casa por altura da revolução do milho.

Depois do 25 de Abril, a casa ficou praticamente ao abandono, até que em 2016 foi reconvertida para turismo de habitação, num investimento superior a 1 milhão de euros, financiado por fundos europeus. A unidade tem 15 quartos, tendo permitido a criação de quatro postos de trabalho diretos.

A riqueza histórica possibilitou a criação de um centro de interpretação no local onde foram feitas escavações arqueológicas aquando das obras de recuperação.

A unidade hoteleira tem uma aplicação digital 3D que relata os episódios mais marcantes da história da casa e um audioguia com explicações de diferentes elementos dos jardins. As visitas guiadas decorrem das 14h00 às 17h00, mediante marcação prévia.

[Notícia completa na edição impressa do Diário do Minho]





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