Fotografia: Centro José de Guimarães

Centro José de Guimarães coloca coleção homónima em diálogos “heteróclitos”

A exposição é inaugurada no sábado, com entrada livre.

Redação/Lusa
6 Out 2022

O Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) vai «esvaziar» as reservas da coleção que lhe dá nome para colocar um total de 1 128 peças em diálogos adjetivados como “heteróclitos” num museu refeito para se repensar. A exposição “Heteróclitos: 1 128 objetos” é inaugurada no sábado.

No mesmo dia, são inauguradas no Centro José de Guimarães outras duas exposições – “Things in Motion”, de um conjunto de artistas, e “Atirando Pedras”, de Sara Ramo – e uma sequência de DJ sets e concertos. O evento é realizado em parceria com a Revolve e vai levar a Guimarães nomes como James Holden, Waclaw Zimpel e Lila Tirando a Violeta, numa jornada que se estende das 17h00 às 02h00 de domingo, com entrada livre.

Em declarações à Lusa, durante uma visita pela exposição ainda em montagem, a diretora artística do CIAJG e curadora, Marta Mestre, lembrou que o acervo do museu – que assinala dez anos – é «muito particular», já que se trata de uma «coleção de artista», referindo-se ao conjunto de 1 128 objetos de artes africanas, pré-colombianas, chinesas adquiridos entre os anos 1980 e 2000 por José de Guimarães e cedidos, em regime de comodato, ao CIAJG. “Heteróclitos: 1.128 objetos” vai permitir ao público apreciar a multiplicidade de trabalhos da coleção, colocados em diálogo entre si, reunindo peças de arte africana, por exemplo, com obras de José de Guimarães.

A exposição consiste no «encontro de olhares muito díspares», como sublinhou Marta Mestre, que enfatizou o caráter um pouco «caótico» de alguns elementos da mostra e o facto de pretenderem «desmistificar o processo e sacralização a que os museus estão submetidos». São apresentadas assim obras em malhas metalizadas ou numa estante de arquivo, normalmente só encontradas nos depósitos das instituições, onde as peças de arte estão guardadas.

O público vai, por exemplo, poder entrar pela zona de descargas do Piso -1, podendo assim ver os «bastidores» de um museu. Ao subir as escadas para o Piso 1 do CIAJG, o visitante depara-se com a série “Alfabeto Africano”, de José de Guimarães, que, em 1974, deu «o mote à estética» do artista, segundo a curadora, e aqui se interliga com outros trabalhos do autor.

Marta Mestre salientou que não há uma sequência cronológica, numa exposição que quer «contrariar a ideia de um cubo branco» e pedir aos públicos que explorem os vários lados daquilo que significa ser um museu. Também por isso, a exposição inclui uma passagem para a mostra de Sara Ramo, que se destaca por uma parede coberta de vidros estilhaçados, assim como pela afixação de um manifesto para os dez anos do CIAJG, na última sala da mostra, feito em coletivo pela equipa da instituição.

Como parte da reinvenção do espaço do CIAJG, a chamada “Sala das Máscaras” surge do «avesso». Isto é, quem nela entrar depara-se com as costas das dezenas de máscaras da coleção, num «gesto temporário [que] coloca em evidência a frente e o verso» e que chama a atenção para a legenda do objeto, em vez da própria máscara em si.

A inauguração das três exposições acontece no sábado, a partir das 17h00, com uma visita guiada por Marta Mestre e por André Tavares, que assinou o lado arquitetónico de “Heteróclitos: 1.128 objetos”, com Ivo Poças Martins. O CIAJG está aberto de terça-feira a domingo, com entradas a quatro euros (havendo vários descontos aplicáveis) ou gratuitas para menores de 12 anos. Aos domingos de manhã, a entrada é gratuita para todos os públicos.





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