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Hospital de Braga registou 102 casos de violência sobre profissionais em 2021

Trata-se de um aumento de 25% face ao ano anterior.

Redação/Lusa
3 Out 2022

O Hospital de Braga registou, em 2021, um total de 102 situações de violência sobre profissionais de saúde. Trata-se de um aumento de 25% face ao ano anterior e que supera as notificações registadas no período pré-pandemia de Covid-19, avançou o presidente do Conselho de Administração, João Porfírio Oliveira, no lançamento da campanha “Braga respeita quem cuida”.

«A violência no setor da saúde tem um elevado impacto e provoca importantes repercussões nas instituições hospitalares, afetando o desempenho dos profissionais e a qualidade da prestação de cuidados, pelo que a sua diminuição se revela um desafio não só em Portugal, como em todo o mundo», sublinhou o responsável. «Sabemos que o contexto da prestação de cuidados de saúde pode gerar ambientes vulneráveis, causadores de consequências para a saúde física e mental dos nossos profissionais, sendo por isso necessária uma ativa vigilância dos riscos associados e prontas ações para os mitigarmos», acrescentou.

O Hospital de Braga tem vindo a implementar diversas medidas que visam prevenir a violência, física e psicológica no local de trabalho e apoiar as vítimas, como a criação do código de boa conduta “Prevenção e Combate ao Assédio no Trabalho”, a otimização da plataforma de registo de eventos adversos e a promoção da notificação por parte dos profissionais de saúde. O hospital promoveu ainda a reformulação dos gabinetes de consulta, para assegurar que existe sempre «um ponto de fuga» para o profissional, a colocação de acrílicos nos balcões de atendimento das consultas externas e a criação de um Gabinete de Apoio Profissional. Foi também implementado um sistema de botão de pânico portátil nos Serviços de Psiquiatria e de Urgência de Obstetrícia, um projeto-piloto que se pretende alargar para outros serviços.

Pr sentir «que é necessária uma ampla consciencialização da comunidade para os impactos da violência no setor da saúde, a sensibilização da sociedade para prevenção deste fenómeno e o incentivo da notificação de eventos adversos por parte dos profissionais de saúde», foi lançada a campanha “Braga respeita quem cuida”. A iniciativa junta o hospital, a PSP, a Câmara Municipal, o Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Cávado 1, o Sporting Clube de Braga, os Transportes Urbanos de Braga (TUB) e a Autoridade para as Condições do Trabalho.

A campanha vai passar pela colocação de cartazes de sensibilização em diversos espaços do hospital e em todos os ecrãs dos autocarros dos TUB, pela colocação de outdoors e mupis por toda a cidade de Braga, a realização de uma formação da PSP para os profissionais de saúde do hospital e uma ação conjunta, em dia de jogo, com o SC Braga.

Segundo números da Direção-Geral da Saúde, mencionados na apresentação da campanha, 50% dos profissionais de saúde são vítimas, por ano, de violência física ou psicológica. Por dia, em Portugal, pelo menos quatro profissionais de saúde são agredidos. No ACES Cávado 1, e segundo o diretor executivo, Domingos Sousa, um inquérito feito há cerca de dois meses concluiu que 56% dos profissionais que ali exercem já foi vítima de violência. Em 53% dos casos tratou-se de violência verbal, havendo ainda assédio moral (24%), violência física (10%) e assédio sexual (4%). «Começa a ser uma situação avassaladora», referiu Domingos Sousa.





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