Espaço do Diário do Minho

Rainha Isabel II, Liberdade, Segurança, Propriedade e Paz

23 Set 2022
Gonçalo S. de Mello Bandeira

Condolências a Todos os Povos do Reino Unido e da Commonwealth pela “partida da Rainha Isabel II“. Recordando o Tratado de Windsor – e seguindo também Pedro Oliveira Pinto, Antena 2-RTP, 2017 -, a mais antiga aliança diplomática do mundo: a 9/5/1386, os representantes do rei de Portugal, D. João I, e do rei de Inglaterra, D. Ricardo II, deram por terminadas as negociações entre as duas coroas e assinaram um tratado de amizade perpétua e mútua assistência entre os dois reinos. Neste contexto verifica-se também o selar do acordo, o qual consistiu, à data dos costumes na época, no casamento do rei D. João I de Portugal de Dª Filipa, filha do Duque de Lencastre, em 11/2/1387. Já antes, em 1373, D. Fernando de Portugal e D. Eduardo III de Inglaterra, tinham feito um acordo similar. Assim, o Tratado de Windsor seria uma confirmação dos anteriores. Note-se que a Paz com Castela somente seria em 1411. O Tratado de Windsor é o mais antigo tratado diplomático em vigor. Com o decorrer da História foi sendo confirmado sem qualquer denúncia. Apesar de escaramuças e roubos épicos, como p.e. com os piratas ao longo da História não só das Descobertas marítimas, do fim do “mapa cor-de-rosa” africano, ou do período filipino de ocupação espanhola, Portugal e Inglaterra nunca estiveram em guerra formal. Pelo contrário, p.e., houve ajuda por parte da Inglaterra, ainda que por vezes através de mercenários, quer na Batalha de Aljubarrota do Séc. XIV, quer séculos mais tarde nas Invasões Francesas. Assim, o casamento de Dª Catarina de Bragança com D. Carlos II, em 1662, o Tratado de Methuen de 1703 – comercial – , e a aliança luso-britânica na Guerra Peninsular, no século XIX, foram ocasiões de confluência. Já em 1943, W. Churchill anunciou que Portugal aceitara o pedido do Reino Unido para usar os Açores contra a Alemanha nazi. Quem disse que “o regime monárquico é inferior ao regime republicano”?! Veja-se o Reino Unido, Espanha, o Japão ou a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, de modo sistemático entre os países com mais qualidade de vida do mundo nos mais diversos aspectos. Com certeza que são regimes monárquicos parlamentares. Mas, no caso do Reino Unido, com um dos mais antigos do mundo. Com os seus defeitos, o Reino Unido da Revolução Industrial, continua a dar lições ao mundo em termos de liberdade de expressão quando permite que no seu território sejam protegidos e apoiados alguns dos principais críticos mundiais das diversas ditaduras que dominam regiões do globo. Lembre-se o exílio de Karl Marx. Também a preocupação da protecção e promoção da liberdade, segurança e propriedade, nas palavras de John Locke, nos permitem ter em consideração a fundação do liberalismo, bem como, portanto, do próprio contrato social. Que alguns, por ignorância, julgam apanágio doutras ideologias. Ora Bentham ou Stuart Mill, etc.. A Rainha Isabel II simboliza também isto tudo e muito mais, pelo seu exemplo único. Como Chefe de Estado e Mãe de Família tradicional, casada mais de 70 anos. Como Cristã rigorosa praticante pela vertente do Anglicanismo (embora este, antes da pacificação, com naturais críticas por parte do Catolicismo perseguido). Isabel II é um símbolo de liberdade em relação a regimes despóticos como a actual Rússia, China, Coreia do Norte, Irão ou Afeganistão, etc.. Sendo certo que também existiram alianças de conveniência de interesses internacionais, onde Londres e o Reino Unido surgem muitas das vezes como os maiores paraísos fiscais do mundo – daí o Brexit? Assim, vários autores -, também é certo que o “reino dos piratas” sempre serviu para legítimos refugiados de todo o mundo que podem livremente discursar nos jardins públicos. E dão lições de democracia a todo o mundo. A morte de Isabel II é a morte duma Mãe colectiva imaginária que nos deixava dormir descansados quanto a alguns dos soberanos deste mundo. Resta saber o que farão os seus sucessores? Terão a mesma capacidade? Na II Guerra Mundial, Isabel foi motorista e mecânica. No dia da vitória pediu aos seus pais para ir, com sua irmã Isabel, mergulhar junto da felicidade colectiva da multidão. Ninguém as reconheceu. Mas nós, os crentes, achamos que elas vão andar sempre por aí, a promover a Liberdade e a Paz.



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