Espaço do Diário do Minho

Gala das Quinas com passos certos e… trocados

23 Set 2022
Carlos Mangas

Quando da convocatória para o duplo confronto da seleção nacional de futebol, uma outra representação nacional encontrava-se na Argentina a disputar a Finalíssima de Futsal. Penso ter sido esta conjugação de fatores que levou a marcar a Gala das Quinas de Ouro para momento posterior (à conquista da) Finalíssima de Futsal e anterior aos jogos decisivos para a Liga das Nações, por forma a ter atletas e treinadores das modalidades com mais impacto mediático, na festa.

E, parafraseando Chico Buarque na canção, Tanto Mar – “Foi bonita a festa, pá…” com a presença de futebolistas e treinadores de diversas gerações e a lembrança de muitos que partiram, alguns, precocemente.

Voltando à convocatória, sempre discutível, a mesma foi abafada pela decisão de Rafa Silva de se desconvocar. Ainda sou do tempo que recusas destas (pelos jogadores e/ou clubes) originavam sanções e impedimentos de jogar pelo clube.

No nosso país “é dever legal do praticante desportivo profissional participar nos trabalhos de preparação e integrar as seleções ou representações nacionais”. No entanto, num daqueles alçapões legislativos em que somos férteis, o regulamento disciplinar de liga aceita que qualquer atleta pode abdicar desde que “haja uma justificação aceite pela Direção da FPF”. Rafa foi algumas vezes desconsiderado e desaproveitado na seleção e… no clube. Na seleção – com aceitação tácita da FPF – entendeu que chegou o momento de se despedir. No clube, o tempo o dirá.

Quem atuou de forma totalmente oposta, foi CR7 que já se auto convocou para o mundial deste ano e para o Euro de 2024. Fê-lo na Gala das Quinas ao receber o prémio de melhor marcador de sempre. Um dos seus inúmeros assessores deveria tê-lo aconselhado a dizer: enquanto me mantiver no futebol de alto rendimento, estarei sempre disponível para representar o nosso país.

Quem conhece a realidade sabe que com esta afirmação, CR7 diria praticamente o mesmo, dando um sinal de gratidão e de grande campeão. Há quem afirme e escreva que Fernando Santos deve ter tolerância para quem tem estatuto especial e a quem se pode permitir quase tudo? Desculpem, discordo totalmente, lembrando Abel Ferreira – O estatuto, é o rendimento.

Sorte – aquela que se conquista com liderança de excelência – teve Jorge Braz quando um jogador ainda a provar na quadra toda a sua qualidade no último campeonato do mundo, assumiu ter chegado a hora de dar a vez a outros, levando o selecionador a reinventar novas estratégias, mantendo a qualidade no discurso – mesmo nas pausas técnicas – para continuar a ganhar, sem o Melhor do Mundo. Por isso, em meu entender, o momento MAIOR da Gala das Quinas foi o discurso de Ricardinho: Depois de ter visto esta conquista (finalíssima de Futsal) tenho hoje a certeza que dei o passo certo, quando decidi dar um passo ao lado para que os mais jovens dessem um passo em frente.

Numa semana, e dia, em que houve alguns passos trocados, abençoada modalidade que tem quem assim pense (e aja) sempre em prol do coletivo.



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