Espaço do Diário do Minho

O combate à pobreza

21 Set 2022
J.Carlos Queiroz

Os tempos não são simples e fáceis. Estas duas primeiras décadas do século XXI foram dolorosas e de incerteza, dramas, guerras, crise financeira e corrupção, o desemprego que cresceu, a estagnação económica, a bancarrota e o resgate, o endividamento do país e das famílias, o Covid-19 e as suas consequências, permitem concluir que foram realmente anos difíceis. E agora? Um longo período de seca, uma invasão de um país, parecem contribuir em parte para um novo período de dificuldades acrescidas, perante um agravamento de crise, com custos elevados nos bens alimentares e nos combustíveis, com reflexos numa inflação anormal e cujo limite ninguém sabe.

Por agora, falamos em 7 ou 8% mas a tendência dizem-nos é para subir. Perante isto que pode um governo fazer? Que medidas foram tomadas? Sem pretender culpabilizar, mas atentos os cidadãos olham com algum descrédito para os discursos e intenções dos nossos políticos.

As políticas seguidas até agora de pequenos aumentos nos salários e pensões mais baixas, a estagnação e consequente perda do poder de compra da classe média durante vários anos, mostram um país que empobreceu, aumentou as desigualdades e vive acima das suas possibilidades. Tentar fazer figura de rico com carteira de pobre, parece o retrato mais adequado à sociedade portuguesa na atualidade.

É evidente que isto resulta não apenas de políticas dos últimos anos, é antes o somatório de décadas de consumismo, de hábitos e costumes, de uma economia também ela com crescimento reduzido, num cenário social de aparência e de consumo.

As mudanças políticas nunca surgiram e após um período de grande austeridade, os sinais que foram transmitidos eram de prosperidade e riqueza. Foram e são essas aparências que iludiram os cidadãos, que agora parece ainda não entenderam o quanto o mundo está a mudar, implicando sensatez, mudanças de hábitos, orçamentos familiares adequados a novos preços, novos custos euma mais que provável diminuição do poder de compra.

Esta realidade continua a ser pouco difundida pelos nossos políticos, que por vezes até apontam e sugerem aumentos de pensões e salários, embora não expliquem bem como isso poderá acontecer. O caso mais recente, parece ter sido o discurso sobre aumentos nas pensões para combater a subida do custo de vida, pois “parece” que só o governo entendeu que seriam aumentos razoáveis, enquanto economistas e oposição vieram explicar um resultado diferente e contrário, com consequências lesivas para os pensionistas. Entretanto, os portugueses não mudam de hábitos. Um bom exemplo é o facto de continuarem a utilizar com pouca frequência o transporte público, optando, pelo particular, mesmo quando os custos se tornam incomportáveis no seu orçamento familiar. Os tempos próximos serão pois um enorme desafio à estabilidade social, num quadro e contexto político e económico que aconselhariam alguma prudência nos gastos. Será pessimismo ou apenas uma análise real da situação? Entretanto, o cidadão comum sente alguma preocupação e aguarda novas medidas, talvez em breve a anunciar pelo Governo. Ou será mesmo que vamos ter aumentos nos salários e pensões de 8%?



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