Fotografia: AAIPCA

Alojamento. Estudantes dos politécnicos acusam ministério de “absoluta inércia”

O presidente da FNAEESP afirma que em alguns casos não há alojamento “no momento das primeiras matrículas”. Viana do Castelo não tem oferta “a não ser a preços astronómicos”.

João Pedro Quesado
20 Set 2022

A Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) acusa o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) de “absoluta inércia” sobre o problema do alojamento dos estudantes deslocados. O presidente diz-se preocupado com o abandono do ensino superior como resultado da dificuldade dos estudantes em encontrar um quarto ou casa para partilhar.

O presidente da FNAEESP, João Pedro Pereira, acredita que o princípio da não exclusão, definido na lei que estabelece as bases para o financiamento do ensino superior, “não está a ser cumprido”, e que o MCTES “está a permitir que os estudantes deslocados não tenham onde ficar e, por isso, tenham de desistir da sua matrícula”.

João Pedro Pereira afirma que “a maior preocupação de todas as estruturas estudantis foi a incapacidade de dar resposta” à procura de alojamento dos novos estudantes, existindo casos em que já não havia opções disponíveis “no momento das primeiras matrículas”.

Em declarações ao Diário do Minho, o representante dos estudantes do ensino superior politécnico explicou que, num levantamento feito pela FNAEESP em todas as instituições politécnicas portuguesas, “as associações de estudantes repararam que, quando chegaram os primeiros estudantes, já não havia alojamento nas ofertas que normalmente há nas bases de dados”, o que se deve a uma “redução enorme da oferta”. No Minho, essa situação terá ocorrido pelo menos em Viana do Castelo, onde “não há oferta para os estudantes a não ser a preços astronómicos, como 300, 400 ou 500 euros por quarto”.

Essa mesma redução de oferta foi revelada pelo mais recente relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, publicado pela Direção-Geral do Ensino Superior, segundo o qual há 80% menos quartos privados disponíveis para arrendar a estudantes do que no início do ano letivo de 2021/2022. João Pedro Pereira declara que é “uma preocupação nossa” que o alojamento local esteja “mais presente nas cidades do que locais para os estudantes viverem”.

Mais de 150 mil dos quase 370 mil estudantes do ensino superior são deslocados – uma percentagem de 42,3%, de acordo com os dados do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), que também aponta a existência de apenas 15.370 camas em residências ligadas às instituições de ensino superior.

A Universidade do Minho é a instituição com mais camas – 1.400 distribuídas por Braga e Guimarães –, apesar desse número não chegar nem para metade dos 2.867 alunos que foram colocados na UMinho este ano. O Instituto Politécnico de Viana do Castelo tem cerca de 450 camas, enquanto o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave tem cerca de 50.

No comunicado enviado às redações, o presidente da FNAEESP alerta também que o PNAES “só se mostrará eficaz” como solução “a partir de 2024”. Ou seja, o plano de investimentos não é “a resposta necessária e urgente que os estudantes procuram neste início de ano letivo, não restando outra opção que não o abandono”.

O plano para o alojamento de estudantes do ensino superior, cujos contratos para a construção de residências foram assinados na passada sexta-feira, tem financiamento garantido para a construção de 15.800 camas até 2026, o que quase duplica a atual oferta pública de alojamento estudantil.

Questionado sobre soluções a curto prazo, João Pedro Pereira acredita que deve haver um “incentivo para os municípios” suprimirem a falta de oferta de alojamento, colocando “locais que antigamente eram residências ou que podem servir como residências” disponíveis para esse fim.

“Sabemos que o PNAES será um boom importante para o alojamento, mas sabemos que esta geração que está agora a chegar ao ensino superior já não terá nada resolvido nos seus três anos de licenciatura, portanto só nas próximas gerações é que poderemos ver o impacto real” dos investimentos realizados, acrescentou o representante das associações de estudantes dos ensino superior politécnico.





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