Fotografia: Avelino Lima/DM

Projeto com crianças afegãs mostra importância da arte na integração

O grupo de música tradicional afegã, que teve de fugir do seu país, vê no Conservatório uma oportunidade de prosseguir.

Rita Cunha
18 Set 2022

Um exemplo de verdadeira integração na sociedade. Foi assim que a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, classificou o projeto que tem vindo a ser desenvolvido há seis meses em Braga e Guimarães, o qual tem permitido acolher e incluir na sociedade portuguesa um grupo de jovens afegãos que pertencem à orquestra ANIM e que tiveram de fugir do seu país devido ao regime talibã.

Convidada para assistir a um ensaio deste grupo de música tradicional afegã no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, onde viu e ouviu serem interpretadas quatro músicas, Ana Catarina Mendes destacou a forma como foi possível incluir estes jovens, numa primeira fase em Lisboa, através da Cruz Vermelha Portuguesa, e, agora, em Braga e Guimarães, através da Adolescere – Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente. 

«São crianças que fugiram à guerra, aos talibãs, e que deixaram os seus pais e o resto da família no Afeganistão, as suas raízes, e é bom perceber que ao fim de seis meses há uma forma de inclusão, porque acolher não pode ser só trazê-los e deixá-los à sua mercê», disse a ministra, salientando o trabalho que o Estado tem vindo a fazer em cooperação com organizações como a Adolescere, de Braga, não esquecendo o Conservatório Calouste Gulbenkian «que lhes tem permitido continuar a estudar música e a crescer com a música».

Para Ana Catarina Mendes, esta interação irá permitir, por exemplo, que «daqui a uns tempos tenhamos alunos portugueses nas aulas dos professores afegãos que aqui estão» e, desta forma, «misturar esta cultura nossa e dos que aqui chegam». 

«Nós temos raízes pelo mundo e vamos espalhando raízes pelo mundo e julgo que a solidariedade, a inclusão e a coesão social e territorial que se pode fazer nestes projetos é hoje a demonstração de que a arte é mesmo capaz de fazer a integração necessária. E, por isso, hoje só posso estar comovida e satisfeita com este projeto», salientou, após o ensaio ao qual se seguiu uma visita às instalações da escola. 

No contacto com as crianças afegãs, a ministra quis saber quem estava a aprender português e conseguiu “arrancar” algumas palavras, apesar da timidez. «Nos últimos anos têm sido intensificadas as aulas de português com o esforço de muitos professores voluntários que têm ajudado nesta integração. Portanto, falamos de uma integração pela arte, pelas suas raízes culturais e a aprendizagem das nossas e da integração pela escola», disse, confiante de que «estamos no bom caminho para o sucesso destas crianças a quem lhes foi roubado o mundo nos eu próprio país».

Sobre outros projetos nos quais o Governo esteja empenhado ao nível da integração de refugiados, Ana Catarina Mendes destacou a articulação com os municípios e várias organizações. Como principal desafio, referiu o de encontrar habitação para todos os que chegam. 

«Temos hoje um fluxo migratório muito grande. Decorrente da guerra nós temos hoje sete vezes mais refugiados em Portugal do que tivemos nos últimos cinco anos, o que é significativo». Só da Ucrânia, o país acolhe 50 mil pessoas, 1700 das quais estão no distrito de Braga.





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