Fotografia: Avelino Lima/DM

Exposição de cinco ucranianas refugiadas mostra que «a arte não tem limites»

A zet gallery inaugurou ontem a exposição “First Impressions”, que mostra trabalhos de fotografia, pintura, escultura e ilustração.

Rita Cunha
18 Set 2022

Cinco mulheres ucranianas, acolhidas em Braga devido à guerra, dão a conhecer a sua criatividade numa exposição patente desde ontem na zet gallery. “First Impressions” mostra trabalhos que vão desde a fotografia à escultura, passando pela ilustração e pintura.

Oriundas de diferentes zonas da Ucrânia e com carreiras distintas, a vida destas mulheres nunca se tinha cruzado até há pouco tempo. Em comum, Hanna Kyselova, Margaryta Alfierova, Nataliia Diachenko, Oleksandra Skliarenko e Yevheniia Antonova têm o facto de estarem longe das suas raízes e se encontrarem na cidade de Braga para um recomeço no qual tentam dar um novo rumo às suas vidas e a expressarem o que lhes vai na alma através da arte.

Segundo explicou Helena Mendes Pereira, diretora geral e curadora da zet gallery, uma das artistas expõe aqui pela primeira vez, uma vez que tinha acabado recentemente a sua formação quando respondeu à “open call”. Uma outra, fotógrafa, decidiu apresentar também trabalhos de escultura.

«O que é interessante aqui é que estas artistas todas elas expandiram a sua zona de conforto, aquilo que era o trabalho que faziam na Ucrânia, para outras áreas, trabalhando com materiais diferentes. Isto prova que quando as pessoas estão em dificuldades a criatividade não tem limites», disse, salientando o «grande privilégio» por acolher estes trabalhos na zet gallery e «contribuir para que a Ucrânia continue a escrever a sua história de arte».

A inauguração desta exposição contou ainda com a presença da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, que de manhã já tinha assistido ao ensaio, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian,  de um grupo de crianças afegãs também acolhido em Braga.

À margem da iniciativa na zet gallery, destacou a possibilidade de cada um poder voltar a encontrar a realização de sonhos e de felicidade. «Julgo que aqui podemos assistir a uma reinvenção das próprias artistas em Braga, que assim podem expandir a sua criatividade e transmitir algumas mensagens mais fortes da guerra», disse.

A Ministra salientou ainda o que mais a impressionou: «perceber que o mundo é pequeno e que podemos fazer pontes, sendo que essas pontes se manifestam nesta liberdade (…). Somos todos muito próximos uns dos outros e temos de dar as mãos uns aos outros».

Ana Catarina Mendes lembrou ainda que o Estado tem vindo a apoiar estes refugiados «desde o início», sendo que os 50 mil acolhidos se encontram inseridos no mercado de trabalho ou nas escolas. «Isso é uma prioridade para nós», ressalvou. «Esta exposição é mais uma prova de que é possível, através da arte, integrar, incluir, sentir-se em casa, e é isso que estamos a fazer enquanto país, do privado ao Estado», vincou.

“First Impressions” fica patente na zet gallery, na rua do Raio, até ao dia 12 de novembro.





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