Fotografia: Francisco de Assis/DM

Vencedor do prémio “Árvore da Vida” propõe teologia centrada nas pessoas

Teólogo João Manuel Duque recebeu o prémio Árvore da Vida, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, no Espaço Vita.

Francisco de Assis
17 Set 2022

João Duque, presidente da Universidade Católica Portuguesa de Braga, recebeu na noite de quinta-feira o prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Perante um Espaço Vita cheio de vida, graças à presença de inúmeros amigos, familiares, intelectuais e responsáveis máximos da Arquidiocese de Braga e da Diocese de Viana do Castelo, o teólogo, assumidamente humanista e «cruzador de fronteiras», propôs uma teologia que extravasa os muros eclesiásticos e se centra nas pessoas. 

De facto, a cerimónia  de entrega do prémio quebrou as fronteiras protocolares, transformando-se num momento de reflexão, mas também de encontro de amigos.

A cerimónia foi presidida por D. João Lavrador, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e bispo de Viana do Castelo. Na mesa fez-se acompanhar do galardoado, João Manuel Duque; do Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro; do professor João Carlos Loureiro, catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que “justificou” a escolha do galardoado, apresentando os aspetos mais relevantes do pensamento de João Duque; e José Carlos Seabra Pereira, que presidiu o júri do prémio.

Na sua intervenção, João Loureiro apresentou uma autêntica lição de sapiência, mostrando ser um profundo conhecedor da obra do teólogo, mas também de todos os anteriores vencedores do prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes. E mais, estabeleceu pertinentes ligações entre a vasta obra de João Duque e o seu «multifacetado» pensamento e os diferentes vencedores.

Uma  preleção que deixou o presidente do júri «descansado» quanto à justeza da escolha» de João Duque, o primeiro teólogo a receber o prémio.

Quanto ao galardoado, começou por expressar «imensa» gratidão pelo prémio, agradeceu aos pais, à sua família carnal, mas também aos amigos e às outras famílias que o rodeiam, que o ajudaram a ser quem é hoje. Nomeou em particular o maestro padre Manuel Faria, que o encaminhou para o mundo da música; e o teólogo Manuel Costa Santos, um dos responsáveis pela escolha da teologia. 

Visivelmente emocionado por tantos e prolongados aplausos, o Prémio Árvore da Vida 2022, deixou reparos à forma como a teologia é hoje encarada. Explicou que interpretou este prémio como reconhecimento e valorização de um estilo de Teologia que não se limita a refletir a vida interna da Igreja, mas que procura contribuir para o debate sobre a vida comum a todos os humanos, em todas as suas dimensões.

E defendeu uma teologia atenta à realidade das pessoas, ao acolhimento dos migrantes e refugiados. Mostrou-se contra uma Igreja fechada no seu «gueto», reforçando a defesa de uma teologia «universitária» que se faz ouvir na sociedade, mas que também é ouvida nos diferentes meios.





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