Fotografia: zet gallery

Artistas ucranianas trabalham «em clima de paz» em Braga

A zet gallery inaugura este sábado uma exposição com os primeiros trabalhos desenvolvidos pelas cinco artistas.

Redação/Lusa
16 Set 2022

Cinco artistas ucranianas encontraram em Braga um refúgio para poderem continuar a trabalhar em clima de paz, apesar de manterem as «antenas» sempre ligadas, à espera de notícias do seu país. A zet gallery inaugura este sábado uma exposição com os primeiros trabalhos desenvolvidos pelas cinco, que vão da pintura à ilustração, à escultura e à fotografia.

Chegaram a Braga entre abril e maio como refugiadas, onde vão permanecer em contexto de residência artística por um ano, numa iniciativa patrocinada pelo grupo dst, que lhes paga mil euros por mês, lhes assegura alojamento e lhes disponibiliza um ateliê e os materiais e tecnologias necessários para desenvolverem o seu trabalho. São elas Margaryta Alfierova, Yevheniia Antonova, Oleksandra Skliarenko, Hanna Kyselova e Nataliia Diachenko.

«São mulheres guerreiras, exemplos de grande resiliência, que usam a arte como a única arma eficaz contra a barbárie», aponta Helena Mendes Pereira, diretora da zet gallery, que este sábado inaugura uma exposição com trabalhos das artistas. «É inevitável que no trabalho artístico de cada uma se consiga vislumbrar uma alusão à guerra», refere, apontando como exemplo uma escultura de uma mulher a tapar os ouvidos, como que para «tentar calar» os sons da guerra, ou uma «espécie de nevoeiro» que perpassa pelas fotografias de uma outra artista.

A artista Margaryta Alfierova, 50 anos, admite que se sente «muito bem em Portugal». É um país lindo, com pessoas lindas. Gosto mesmo”, responde. No entanto, ainda não sabe se, após o fim da residência artística, ficará em Portugal, para onde veio sozinha, ou regressará à Ucrânia. «Neste momento, não sei o que o futuro trará. Esta situação de guerra ensinou-me a não fazer grandes planos de vida. O que sei é que quero viver a vida e quero ser feliz», assegura.

Já Yevheniia Antonova, 36 anos, veio para Portugal ao volante do seu carro, com a mãe, o filho e o cão. Diz que se sente «muito bem» no país. No entanto, também ainda não se decidiu sobre o seu futuro. «Sinceramente, não pensei sobre isso. Claro que tenho saudades do meu país, mas ficar aqui depende do trabalho», afirma.

Yevheniia Antonova acredita que está numa situação «privilegiada» em relação a outros refugiados, já que tem trabalho, pode continuar a sua prática artística e tem um ateliê onde passa o tempo. Para além disso, o seu filho vai agora para a escola pública, naquele que será mais um passo para a sua integração em Braga. «Vamos ver o que o futuro nos reserva», diz.

Apesar do clima de paz que encontraram em Braga, a situação de conflito na Ucrânia, que perdura desde 24 de fevereiro, não sai da cabeça das cinco mulheres. «Mas a guerra vai acabar, claro que vai. A paz é possível e vai acontecer. E eu, por mim, só quero viver e ser feliz», repete Margaryta Alfierova.

Com a exposição inaugurada este sábado na zet gallery, artistas têm também possibilidade de divulgar e comercializar de forma segura as próprias obras, combinando as novas estratégias de marketing digital com o modelo mais tradicional de galeria de arte. «Há algumas que estão a conseguir ajudar monetariamente as famílias que ficaram na Ucrânia, com transferência de dinheiro», refere Helena Mendes Pereira.





Notícias relacionadas


Scroll Up