Espaço do Diário do Minho

Brasil acolhe novamente a Imagem Peregrina

1 Set 2022
Salvador de Sousa

Após correr, em todos os meios de transporte (avião, automóvel, comboio e barco), várias dioceses do Brasil, desde 3 de janeiro de 1952, e ser acolhida com toda a dignidade nas localidades por onde andou, a Imagem Peregrina regressa a Portugal e, após alguns meses, 7 de janeiro de 1953, volta ao Brasil de avião, chegando ao rio de Janeiro no dia 8, visitando, de seguida, Santos, São Paulo, Belo Horizonte, Paraná, Curitiba, voltando a Portugal no dia 15 de janeiro de 1954.

O Governo pôs à disposição das entidades organizadoras da peregrinação um avião da Força Aérea para todas as deslocações da Bendita Imagem. Como dizia o poeta que o Brasil era um “Coração de Área Grande”, provando isso, com o fervilhar do seu órgão vital na passagem de Nossa Senhora de Fátima: «nos deslumbrantes cortejos fluviais, nos portos, nas avenidas das grandes e pequenas cidades e aldeias, nos Senados, nas Catedrais. Muitos exclamaram: «Nunca no Brasil se viu coisa assim! Onde se viu um cortejo com mil e trezentos automóveis, galgando distâncias atrás do carro em que a Imagem seguia?» Nada faltou à passagem da Imagem desde o inúmero incalculável de fiéis, da sua piedade e devoção até às ruas, caminhos-de-ferro e de tantos outros locais floridos e engalanados para tão sugestivo e importante acontecimento que fogueava no íntimo daquelas gentes brasileiras.

Alguns relatos do Cónego Carlos Azevedo para cada um refletir

Apesar do que se referiu, há sempre “ovelhas ronhosas” que se intrometem com ações que vão contra toda essa notável piedade popular à Mãe de Deus. Quem não fica indignado quando tratam mal a sua mãe?

Vou terminar esta crónica com relatos de alguns factos presenciados na altura desta peregrinação:

« Na Baía, certo homem resolveu falar contra Nossa Senhora na ocasião da chegada da Imagem. À noite, na passagem do cortejo, de S. Francisco para Petrolina, sem se saber como, a casa desse homem ficou em cinzas; na véspera da chegada da Imagem a Cachoeira, três Protestantes blasfemaram sobre a Mãe de Deus: “Se a Senhora tem tanto poder que faça arder as nossas casas. Logo a seguir, ao entrar a Imagem no avião para Pernambuco, ardiam as três casas daqueles homens. Isto foi afirmado pelo próprio Vigário de Cachoeira…»

Surgiu, em Fortaleza, um problema na face da Imagem que a obrigou a sua vinda a Portugal, sendo motivo para um homem dizer o seguinte: «Afinal Nossa Senhora não tem tanto poder como dizem os padres, pois se assim fosse não se deixaria ferir no rosto. Ao sair da Igreja foi atropelado por um carro, sendo levado para o hospital, ficando ferido no rosto, exatamente como tinha sucedido à Imagem.»

Um médico que se tinha deslocado a Fortaleza ficou enfurecido por encontrar as lojas fechadas por motivo da visita da Imagem Peregrina, contestando de tal maneira que a sua esposa o repreendeu, respondendo-lhe que não acreditava. «Só acreditaria se ela fizesse secar, em três anos, o seu açude que nunca tinha secado, nem nas grandes secas.» Não foram precisos três anos, mas, apenas, três dias para que o açude ficasse completamente seco. Fenómeno que os técnicos não souberam explicar. No dia seguinte, viu-se um orifício de 50cm de diâmetro por onde se escoou toda a água e os peixes.

Um comerciante em Nova Friburgo não acatou as ordens do Governo para fechar as portas em homenagem à visita da Virgem Maria. Antes um pouco da Imagem passar à sua porta, uma filha veio chamá-lo para se deslocar a casa para socorrer a sua esposa que estava a sentir-se mal. Foi obrigado a fechar a loja, encontrando a sua esposa morta na cama.

Um capitalista, em Nova Friburgo, atravessou o cortejo mariano com a sua motoreta, alegando que tinha negócios urgentes a tratar. Quando, posteriormente, se encontrava no escritório foi surpreendido pelos seus dois motoristas de camiões, informando-o de que os seus camiões embateram um contra ao outro, ficando completamente destruídos. Os seus dois motoristas, sentiram-se admirados, por ficarem ilesos num acidente tão horrível…

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra…



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