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Investigador da UMinho com 100% na Bolsa Marie Curie

13 Ago 2022
Joaquin Torres Sospedra

Joaquín Torres-Sospedra, investigador principal no Centro Algoritmi da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, recebeu uma bolsa individual Marie Sklodowska-Curie (MSCA) da Comissão Europeia, cuja candidatura foi avaliada com a pontuação máxima. Conta com 160 mil euros para desenvolver o projeto ORIENTATE, dedicado a novas tecnologias integradas de localização de pessoas e produtos, mais fiáveis e robustas do que as atuais. A bolsa permite-lhe “liderar uma linha de investigação promissora com elevada probabilidade de transferência de tecnologia para a indústria”.

O ORIENTATE foi concebido como um projeto inovador de training, “que vai introduzir uma nova tecnologia para posicionamento em instalações industriais”. Para Torres-Sospedra, esta distinção é “um desafio muito importante”: “Para toda a equipa, estamos gratos por este ‘selo de qualidade’”.

A bolsa pode dar-lhe dimensão europeia. “Já temos vasta experiência, como o trabalho do professor Adriano Moreira na localização em interiores, mas uma distinção deste tipo significa que tem sido feito um bom trabalho e que vai abrir portas numa nova etapa importante”.

A localização tem hoje uma importância fundamental, desde os pequenos ecrãs. Isso tornou-se fácil no exterior, com recurso ao GPS, mas “o mesmo já não acontece em contexto indoor, onde há obstáculos de diversa natureza que impedem a localização com precisão”, justifica.

Dentro de edifícios, pode recorrer-se a dispositivos wi-fi ou bluetooth, mas “é preciso encontrar novas soluções, mais robustas”, refere Joaquín Torres-Sospedra. A sua equipa “trabalha em tecnologias baseadas em LED, mais precisas, mas com alguns inconvenientes”. O objetivo, sublinha, é integrar várias tecnologias – que se substituem, onde algumas falham – com recurso a deep learning e inteligência artificial, para um posicionamento mais preciso e robusto.

As metas e tarefas do projeto têm uma duração prevista de dois anos. No entanto, necessita-se pelo menos de um ano adicional, “para atingir os objetivos de comercialização”, admite. “Esta tecnologia, que poderá gerar duas patentes, será muito transversal e com potencial enorme, porque a localização de pessoas, materiais ou produtos representa uma informação de grande importância”, reforça.

Joaquín Torres-Sospedra lidera o projeto, mas realça a supervisão do professor Adriano Moreira e os contributos dos professores Helena Rodrigues, Maria João Nicolau, Rui José e dos investigadores doutorados Felipe Menezes e Cristiano Pendão, além do estudante de doutoramento Ivo Silva. Prevê-se desenvolvimentos no Centro de Computação Gráfica (CCG), também no campus de Azurém, em Guimarães, e na Universidade de Tampere (Finlândia) para facilitar a transferência e a comercialização das tecnologias para outros mercados.

“Na primeira vez que estive em Portugal e na UMinho, além da metodologia muito acessível, lembro-me que assisti a uma aula do professor Adriano Moreira em português, língua que eu não dominava, e pude entender tudo. Aliás, a aula foi muito interessante e fez-me pensar que talvez devesse continuar o meu trabalho por aqui”, confessa Torres-Sospedra.

Atraído por Guimarães

O investigador doutorou-se pela Universitat Jaume I (Castellón, Espanha) e ingressou no seu Grupo de Investigação em Tecnologias Geoespaciais (GEOTEC). Tem pesquisado também sobre redes neurais, modelos de conjuntos, robótica e interoperabilidade.


Considera Guimarães “bonita e tranquila” e aí caminha quase todos os dias, além de apreciar a gastronomia. Outra motivação é a equipa científica ser liderada por Adriano Moreira. “Cativou-me desde que o conheci num evento no Canadá e pude comprovar que o seu grupo é muito bom e aqui posso fazer coisas importantes”, diz.

As bolsas individuais MSCA apoiam a formação de cientistas com os seus projetos individuais de excelência e que envolvam parceiros académicos e industriais. Para a chamada MSCA-IF 2020, a Agência de Execução para a Investigação, da Comissão Europeia, recebeu 11.573 propostas de projetos e apoiou 1630 daqueles investigadores (14% de aprovação), num total de 328 milhões de euros. Portugal acolheu 34 dessas bolsas, que somam mais de cinco milhões de euros.



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