Espaço do Diário do Minho

Câmara Municipal de Braga: Modelo ao descuidar o ambiente e ao maltratar os munícipes!

13 Ago 2022
Renato Almeida

No decurso do ano 2000, adquiri a vivenda número onze situada na Rua António dos Santos Palha, na freguesia de Sº Vítor em Braga. A mesma confronta com o lote 12 e seguintes, os quais continuam em estado de “virgindade betuminosa” e pertencem a “espécimenes” da área económica da construção civil.

Ano após ano o determinismo da mãe natureza vai brotando frondosa vegetação tornando meus regulares vizinhos, roedores, cobras, gatos e até, notívagas aves agoirentas como corujas, as quais me brindam regularmente, com indesejáveis “sonatas”.

Consciente de que a proteção civil somos todos nós, tenho tentado dar plural alarde deste manifesto risco ambiental em plena cidade de Braga e, num ano tão singular, contactando as mais diversas entidades, nomeadamente, a Câmara Municipal, sem olvidar um dos “Donos Daquilo Tudo”, o qual, telefonicamente, considera uma exorbitância pagar 100 euros para concretizar a necessária limpeza! Por certo a quantia far-lhe-á imensa falta para degustar um Tigre (obviamente que me refiro ao bibalve!!), ignorando, vilmente, que eu nem sequer, pude degustar uma sardinha são joanina, por ser, ao contrário dele, um cidadão responsável!

É aqui que entronca a singular capacidade organizacional da Câmara Municipal, “leitmotiv” deste texto, bem como, a letargia com que deixa cidadãos, escrupulosamente cumpridores dos seus deveres cívicos, votados ao ostracismo e ao óbvio risco patrimonial e pessoal.

À guisa de exemplo transcrevo a última comunicação, a solicitar audiência com o Senhor Presidente da Câmara:

Em referência ao assunto mencionado em epígrafe e após ter obtido na manhã de hoje (21 de julho), a lacónica resposta do Departamento de Fiscalização (dada através da Operadora telefónica) de que o processo se ‘encontra a cumprir os prazos legais’, e que uma suposta Doutora Ana Rita se encontra de férias, depois de já uma outra, cujo nome, com o devido respeito, apenas sei chamar-se Bárbara, se encontrar em formação há já mais de um mês, (tudo isto, pasme-se desde o dia 9 de maio, dia da minha primeira denúncia!!!), venho pelo presente solicitar, com carácter de urgência, audiência presencial com o Senhor Presidente da Câmara no sentido de o informar sobre o inacreditável risco civil que experiencio eu próprio e centenas de moradores dos prédios a poente da minha Rua.

O problema agudiza-se quando a Câmara Municipal tem conhecimento formal e deixa perpassar cerca de 80 dias, sem exercer o papel que lhe compete: Aviso prévio do infrator e, caso o mesmo não atue em conformidade, proceder à limpeza, erradicando o Risco e exercendo sobre o mesmo o poder coercivo que dispõe.”

O teor deste meu mail despoletou na assessora do Senhor Presidente grande celeridade na resposta – 48horas depois, informou que o mesmo não dispunha de agenda durante, pelo menos, um mês!

Entretanto, regressado de férias, percebi que o meu agregado familiar tinha aumentado com a permanência de majestática cobra na lavandaria, cujo porte, superior a um metro, tive o cuidado de documentar fotograficamente e enviar para a expedita assessora, tendo obtido resposta imediata nos termos seguintes: “Acusamos a receção do seu correio eletrónico do dia 03/08/2022, o qual mereceu a nossa melhor atenção, e informamos que o mesmo ficou registado com o registo de entrada nº E/42277/2022 e reencaminhado para o serviço competente.”

Ou seja mais do mesmo – Incompetência; Letargia; Inoperância; Irresponsabilidade e Dolo!

Não quero que a Câmara Municipal e os meus concidadãos entendam esta minha denúncia como algo detrator e/ou chantagista, mas sim como uma ato de desespero, porquanto experiencio este cenário há já 22 anos! Infelizmente, só quando publico notícias nos jornais (Cfr. Diário do Minho- artigo “A Selva na Cidade” em 20 de agosto de 2005), o assunto é resolvido!

Quando procuro soluções pela via mais institucional (de maio até hoje já contactei a polícia municipal que se deslocou ao local e que asseverou que iria dar conhecimento às entidades competentes através do reporte fotográfico entretanto feito por uma das agentes, duas vezes o Senhor Fiscal Dias Pereira, seis vezes a linha do munícipe e os zelosos serviços de jardinagem que regularmente abrilhantam os jardins contíguos aos prédios, (casualmente, por certo, construídos pelo mesmo Dono do Lote Selvagem), malfadadamente, só tenho encontrado “abstinência” de ação e sorte divina, esta última, objetivamente responsável por ainda não ter acontecido uma tragédia!!

Até lá espero que o singular serviço Público deste Diário, surta efeito e que o Senhor Presidente, por certo revigorado e iluminado pelas incandescentes temperaturas veraneias, ponha ordem na casa e dê real sentido ao lema da proteção civil:

“PORQUE TODOS SOMOS PROTEÇÃO CIVIL!

 



Mais de Renato Almeida


Scroll Up