Espaço do Diário do Minho

Ribeira de Panoias em agonia. Até quando?

10 Ago 2022
Armindo Oliveira

Mais umas linhas escritas, mais uma denúncia acerca do estado lastimável da Ribeira de Panoias. Ninguém pode ficar insensível pelo estado deprimente das águas desta ribeira.

Ainda recordo nos meus tempos de criança, as águas cristalinas e cheias de vida aquática. Ali, naquele meio rural, havia peixes, tira-olhos, borboletas, lagartixas, rãs e tantos outros animais que vivificavam aquelas águas. Ainda recordo as crianças a banharem-se no pequeno leito cheio de verdura. Ainda recordo uns tantos pescadores despreocupados a fisgarem umas “panxorcas” mais distraídas (nome que se dava aos peixes pequenos). Ainda recordo o moleiro na sua azáfama a tratar do moinho com muito enlevo. Ainda recordo aquela ribeira cheia de vida das lavadeiras nas suas canseiras de lavar os trapos dos seus filhotes.

Hoje, dá pena ver aquelas águas empestadas de porcaria, de espuma, com uma cor enegrecida de “morte”. A ribeira está, de facto, morta. E ninguém lhe vale. Ninguém se incomoda. Ninguém é sensível para dizer basta. Agora é tempo, mais do que tempo, de lhe conferir a sua identidade ecológica. Ninguém se importa com o seu estado deprimente. Estou farto de ouvir “quereres”. É preciso acção. Ouviram, senhores dos poderes? É preciso acção. É preciso resolver. É preciso acabar com aquele cenário deprimente. Como é possível esta ribeira estar neste estado desolador numa região verde e numa cidade tão avançada cultural e ambientalmente? Como é possível?!

O que faz a Junta de Freguesia? O que faz o Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal? O que fazem as organizações ligadas à ecologia, ao ambiente e à defesa do património natural?

Como se pode ver pela imagem, a paisagem é linda. Bucólica! Dava um belo retrato. Merecia um outro tratamento, claro! Um tratamento ambiental de qualidade, logo numa altura em que a água adquire uma importância vital para a vida animal e especialmente para a vida do homem.

Senhores responsáveis pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal, resolvam esta vil tristeza que corre nas vossas caras. Diante dos vossos olhos. Diante da vossa sensibilidade. Será que as águas pestilentas da ribeira não mexe com a vossa inteligência e com a vossa predisposição ambiental?

Tratem a ribeira com humanidade ecológica. Menos treta e mais acção. Menos campanhas e mais trabalho efectivo. Limpem, despoluem, acarinhem a Ribeira de Panoias, porque ali corre água. Ali, podia correr vida. Ali, podia haver vida outra vez.



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