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Discurso do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, à delegação portuguesa

Bartolomeu I falou à delegação portuguesa do Instituto Católico de Viana do Castelo e Basílica dos Congregados de Braga

Redação
10 Ago 2022

Sede bem-vindos à nossa Sede de Constantinopla.

Esta é a sede do Patriarcado Ecuménico e coração de toda a Ortodoxia que é formada por 15 Patriarcados.

A Igreja de Constantinopla e a Igreja de Roma são igrejas irmãs, porque uma foi fundada por Santo André e a outra por São Pedro, que eram irmãos.

Há três ou quatro anos, Sua Santidade o Papa Francisco ofereceu-nos uns pedacinhos das relíquias de São Pedro, facto que Nós apreciámos muito, mesmo muito.

Nós e o Papa Francisco somos não apenas amigos, somos verdadeiramente irmãos. Já nos encontrámos mais de dez vezes, durante estes nove anos do seu pontificado, mais de dez vezes! Aqui (em Constantinopla), em Roma, em Jerusalém, em Bari e em Assis.

Talvez já sabeis que eu próprio estudei em Roma, “a cidade eterna” como é costume dizer-se, durante três anos. Obtive aí a minha licenciatura no Instituto Oriental. Por isso, conhecemo-nos há muito tempo. A última vez que estive lá foi no ano passado, durante o encontro da comunidade de Santo Egídio “Homens e Religiões”. Cada vez que estou aí, em Roma, sinto-me em casa, não sou estrangeiro: “civis romanus sum”.

A Igreja de Roma e a Igreja do Oriente, a Ortodoxia, permaneceram longe uma da outra, por muitos séculos, lamentavelmente. Mas, desde há perto de 60 anos, somos muito próximas uma da outra: trabalhamos juntos, rezamos juntos, esperamos juntos que há-de vir o dia abençoado da unidade plena, quando Deus quiser e como Deus quiser.

Em Espanha e Portugal, temos uma arquidiocese, uma metrópole, como lhe chamamos nós, temos um metropolita (Bessarion Komzias), arcebispo em Madrid, mas que é também responsável pelo vosso país.  Ele trabalhou durante mais de 15 anos aqui no Patriarcado Ecuménico, na nossa Sede, e há dois anos foi promovido e transferido a Madrid. Recentemente, tornou-se membro do Santo Sínodo; isso comporta que mensalmente virá de Madrid ao Patriarcado Ecuménico para participar dos trabalhos do Santo Sínodo.

Temos esse sistema de administração, posso dizer democrático: todos os metropolitas participam durante um ano no Santo Sínodo, e voltam novamente após quatro ou cinco anos como membros do Santo Sínodo. Deste modo, tomamos as decisões todos juntos. Não sempre a uma só voz; por vezes, só com a maioria. Seria melhor ter a homofonia, mas nem sempre acontece.

Acompanhamos com interesse as reformas que Sua Santidade o Papa Francisco faz na Igreja Católica. É preciso fazer reformas para que o nosso testemunho ao mundo seja mais aceitável, convincente! Sei que a Cúria Romana nem sempre está de acordo, mas o Papa Francisco é muito corajoso (sorrisos). Rezamos pela sua saúde porque ultimamente não tem estado muito bem. Espero voltar a vê-lo em breve.

Cada vez que sou seu hóspede em Santa Marta, no Vaticano, faço também uma visita ao Papa emérito Bento porque também com ele colaborámos muito fraternalmente.

Aqui em Constantinopla há muitas coisas para ver, admirar, conhecer. Espero que gosteis muito da nossa cidade, que não se chama “eterna”, mas é eterna (sorrisos). Serviu como sede de um império cristão durante mais de 1.100 anos.

Nos, católicos, ortodoxos, arménios,  siríacos, somos pequeninas, pequeninas minorias; digo frequentemente que somos uma gota cristã num oceano muçulmano. No entanto, apesar disso, com a graça de Deus, sobrevivemos e estamos aqui como Patriarcado Ecuménico há dezassete séculos. Deo gratias!

Obrigado pela vossa visita. É um grande prazer para mim! É, ao mesmo tempo, é uma ocasião para não esquecer o meu italiano (sorrisos). Boa viagem de regresso. E cordiais saudações aos vossos compatriotas, ao vosso arcebispo e ao Patriarca de Lisboa.

E, agora, venham todos aqui para uma foto!destaque





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