Espaço do Diário do Minho

Controlo de natalidade

7 Ago 2022
Maria Susana Mexia

Margaret Sanger (1883-1966), norte-americana de ascendência irlandesa, foi a precursora do movimento eugénico, desenvolvendo uma perspectiva do sexo desligado da procriação.

Com o slogan “os seres sãos devem procriar abundantemente e os ineptos absterem-se”, abriu a primeira clínica para o controlo de natalidade, em 1916, tendo em 1921 fundado a Liga norte-americana conhecida como “Birth Control”. Na sua revista com o mesmo nome, em Abril de 1933, dedicou um número à esterilização eugénica, no qual defendia práticas que viriam a ser aplicadas pelo Terceiro Reich. Em 1939, esta Liga tomou o nome de Federação para o Controlo de Natalidade e Margaret Sanger criou ainda o Research Bureau, uma instituição que financiou a radicação nos EUA, do médico alemão Ernest Graefenberg, um dos criadores do DIU (Dispositivo Intra-Uterino).

Após a Segunda Guerra Mundial, a Federação para o Controlo da Natalidade fundiu-se com a Federação Internacional de Planeamento Familiar (Internacional Planned Parenthood Federation).

Paralelamente às actividades de Margaret Sanger, surgiram na década de sessenta, duas instituições com o mesmo fim apoiadas pelo multimilionário Rockefeller III, as quais se viriam a fundir originando a Federação Internacional de Planeamento Familiar (IPPF), mobilizando todos os recursos para a maior campanha anti demográfica até então implementada.

No primeiro congresso realizado em Dacca, de 28 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 1969, pela primeira vez a IPPF apresentou o aborto como sendo um meio de anticoncepção ou método de controlo de natalidade.

Na década de sessenta, o governo americano aderiu às políticas de contracepção, e que posteriormente foram integradas nos mecanismos de controlo demográfico das Nações Unidas.

No ano de 1970, o Banco Mundial concedeu o primeiro empréstimo para várias agências das Nações Unidas, que foram criadas para este fim, (FNUAP, PNUD, UNICEF, OMS e FAO), as quais se dedicaram a campanhas mundiais de controlo de natalidade.

Em 1973 a Suprema corte dos EUA ditou a sentença do caso “Roe versus Wade” (o caso Roe contra Wade foi um litígio judicial ocorrido em 1973, no qual a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou o aborto em todo o território norte americano).

Uma família pequena é uma família feliz”, assim dizia o poster da Conferência de Bucareste, a primeira reunião internacional de caracter político, para tratar da problemática populacional, organizada pelas Nações Unidas em 1974, ano Internacional da População.

Neste mesmo ano, a política exterior de controlo sobre a população nos países dito ricos, aumentou de forma exponencial, reforçada pelo relatório Kissinger, secretário de estado do governo norte – americano, documento que foi mantido em segredo até 1991. O seu objectivo não era combater a pobreza, mas lutar contra os pobres, controlando a população dos países do terceiro mundo, de acordo com as necessidades dos países no norte, EUA, Europa e Japão, criando assim o “mito” da super população.

O “espírito de Bucareste”, no qual o excesso de população mundial teria de ser dominado, mereceu severas críticas, na medida em que a opção para a melhoria da vida dos pobres foi recorrer à morte dos descendentes, em vez de os ajudar a melhorar a dignidade das suas vidas. Porém, desde esta Conferência, os meios de comunicação nas décadas de setenta e oitenta, não pararam de fomentar todas as formas de anti concepção, desde a pílula ao aborto.

O grupo Rockefeller a partir de 1994, passou a apoiar estes movimentos, recorrendo também a apoios da revista Payboy e Pathfinder, entre outras.

Actuando inicialmente em círculos fechados ou restritos, a I. P.P. F. aliada a outros organismos das Nações Unidas, instalou clínicas, implementou o serviço gratuito de controlo de natalidade nos hospitais públicos, despenalizou o aborto e promoveu a educação sexual permissiva e obrigatória nas escolas.

Na década de noventa outros grupos radicais uniram-se através das ONGs, como as feministas, os homossexuais, as lésbicas e os pseu-ecologistas, que de alguma forma se englobaram no movimento da Nova Era ou New Age.

Em comum, todos estes grupos ou movimentos têm o fim de mudar a mentalidade humana, a sua forma de agir, criando uma “nova moral”, radicalmente egocêntrica, consumista e hedonista. Uma verdadeira conspiração silenciosa contra os valores da vida, do sexo, do matrimónio e da família.

O controlo de natalidade passou a ser usado como medida de troca para ajuda internacional.

A UNICEF em África, negou assistência médica a mães que recusaram controlar a sua fecundidade. Os investimentos económicos aumentaram consideravelmente, e assim hoje a UNICEF tem clínicas em mais de 30 países, destinadas à higiene materna e serviços de controlo. É surpreendente que um Organismo surgido para a defesa e protecção da infância, se tenha convertido numa plataforma para impedir, por todos os meios, que nasçam crianças”.*

Não obstante toda esta estratégia, muitos países se recusaram a implementar esta política, a que chamaram “a matança dos inocentes”.

Grupos pró-Vida foram surgindo e alertando para o direito à vida humana na sua integridade, defendendo que a “Pessoa é uma substância individual de natureza racional”, definição que a filosofia clássica remete para Boécio, e promovendo campanhas de divulgação e esclarecimento.

Apesar dos enormes recursos aplicados na política da implementação do aborto, e de não terem grande destaque e divulgação nos meios de comunicação, dos valores em que assenta o trabalho desenvolvido por estes grupos na defesa da vida, tudo indica que a cultura de morte sucumbirá de morte natural.

*IPPF (International Planned Parenthood Federation) A MULTINACIONAL DA MORTE, de Jorge Scala



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