Espaço do Diário do Minho

A família na nova realidade social(?)

7 Ago 2022
Armindo Oliveira

1 – Falar hoje da família é expor e extravasar uma ideia e uma visão troglodita, arcaica, a caminhar para o absurdo. Encontra-se esta temática nos antípodas da modernidade. A família é um núcleo social reaccionário e marginal a um regime de homens perversamente livres, de igualdades e incoerente para uma sociedade que se quer livre de preconceitos e de estigmas. Os fanáticos desta tese querem criar a ideia que a família insere-se num conceito ambíguo e preconceituoso em que a sua valia é mais perniciosa do que vantajosa para a coesão social. Estamos, de facto, num tempo do vale tudo relativamente a esta matéria, pois não falta por aí gente demasiadamente “esclarecida e interessada” em pôr em causa os valores da família. E a verdade é que essa gente tem conseguido avanços significativos, o que é notório e dorido nos tempos de correm.

Não vale a pena tapar o sol com a peneira, porque a realidade está bem presente e bem diante dos nossos olhos. A realidade familiar precisa de uma resposta clara, afirmativa e exemplar de todos aqueles que ainda têm a dimensão de família bem activa e vivificante. Não há dúvida, portanto, que cada vez há menos famílias (tradicionais) e mais “arranjos familiares” que se consubstanciam em miscelâneas de viveres ocasionais e fluídos. Alguns até a contrariar as normas sábias da Natureza.

2 – A família está sofrendo ataques ideológicos do sector extremista, bem reforçados por comodismos da modernidade e por falta de respostas adequadas e convincentes por parte dos políticos para mitigar ou mesmo resolver as necessidades mínimas dos jovens.

A geração mais qualificada de sempre, esta é o busílis da questão, não está preparada para enfrentar os problemas que estão associados à vida familiar. Não é fácil viver em família, em família funcional, porque este agregado único e singular, exige partilha, tolerância, respeito mútuo, confiança, espírito de sacrifício e uma resistência psicológica hercúlea para vencer as contrariedades “impostas” por uma sociedade em ebulição e supostamente de bem-estar. Uma sociedade marcada por facilitismos e quase sempre insatisfeita.

3 – Assumir responsabilidades no seio da família requer empenho e dedicação. A família é uma célula social que pede aos seus membros responsabilidade acima de tudo. A palavra angular neste contexto é mesmo responsabilidade. E para uma família funcionar na sua normalidade tem que ser reforçada com traves-mestras como uma boa organização, planeamento adequado e amadurecimento psicológico, cultural e social dos elementos que a constitui. Tem que haver, fundamentalmente, um sentimento profundo, há quem lhe chame amor, a ligar os seus entes. Sem estas espias, a família enfraquece e desmorona. Quando isso acontece, os resultados são normalmente trágicos para as partes envolvidas com particular destaque para os filhos (crianças e jovens) que são as vítimas inocentes desta nova complexidade social que provoca mais pobreza, mais instabilidade e distúrbios de toda a ordem.

A família tem os seus inimigos declarados e estes estão despertos para actuar nos oportunismos e movimentam-se em todo o lado, espreitando as suas eventuais fragilidades. Por isso, cuidado!

4 – Como ponto final, posso dizer que é bom viver em família. É bom sentir o seu calor e o amparo, quando necessário, dos filhos e a companhia assídua e irreverente dos netos para nos dar aquela alegria infantil que os mais velhos bem precisam. A família é o refúgio divino que nos dá protecção, conforto e atenção. Essencialmente companhia nestes momentos de maior fragilidade em que os anos quebraram o vigor dos tempos dos sonhos, das esperanças e de um viver mais frenético.

A família é, enfim, uma aposta segura num futuro mais tranquilo e humano. Queira o homem procurar na família esse futuro e essa tranquilidade. É preciso, pois ponderação, enlevo e confiança para fazer essa descoberta.



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