Espaço do Diário do Minho

A prometida alteração dos estatutos

4 Ago 2022
João Gomes

Na última assembleia geral, em outubro de 2021, a Direção do SC Braga comprometeu-se, perante os sócios, a alterar os estatutos, no que parecia ser uma decisão consensual face ao desajustamento desta nova realidade que se vive no futebol.

Desconheço se a Direção vai envolver os sócios nesta matéria, mas, de qualquer maneira, deixo aqui alguns pontos para análise de todos:

1. Limitação de mandatos. Três mandatos de 4 anos ou dois de 5 anos. A eternização no poder gera muitos efeitos perversos;

2. Listas dos órgãos para eleições. Deverá ser retirada a obrigatoriedade de apresentação de candidato ao Conselho Geral, pois a sua importância não é relevante para a condução dos destinos do clube, e, dado o número reduzido de membros, poderá ser um obstáculo para o aparecimento de listas concorrentes, o que só penaliza o clube;

3. Listas autónomas para os diversos Órgãos. Dada a subjugação evidente, à Direção, por parte da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal, é minha modesta opinião que o processo eleitoral deveria permitir a existência de listas autónomas e independentes para os três Órgãos: Direção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal;

4. Toda a formação pertença do Clube. Os iniciados A, juvenis A e juniores A devem regressar ao Clube, a bem da sua sustentabilidade;

5. Assembleias gerais de sócios. Os sócios têm o direito (até o dever) de participar na vida do clube e de estar informados dos aspetos mais relevantes (quer do clube, quer da SAD), pelo que os estatutos devem prever a realização de três assembleias, sendo uma em junho/julho (análise de orçamento), outra em outubro (análise das contas) e uma outra em janeiro (informação e esclarecimentos, e de modo a apresentar sugestões de utilidade para o SC Braga);

6. Maioria do capital na SC Braga – Futebol SAD. Os estatutos devem prever que o Clube envidará todos os esforços para obter a maioria do capital da SAD, e que a manterá sempre direta ou indiretamente;

7. Vetar aquisição qualificada de participação na SAD. Como detentor de ações de categoria A no capital da SAD, o Clube deve ter a possibilidade de vetar a aquisição de uma participação superior a 5%, por qualquer entidade coletiva ou singular, devendo, para tal, mandatar a Direção para introduzir esta premissa nos estatutos da SC Braga – Futebol SAD.

Estamos em época de férias, de descontração e reflexão, e, dado que nas próximas semanas esta coluna vai fazer um interregno, resta-me desejar que o nosso SC Braga tenha uma época de sucesso e que os nossos objetivos sejam mais ambiciosos.



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