Espaço do Diário do Minho

Relativismo moral – uma mentira cientificamente provada

31 Jul 2022
Maria Susana Mexia

Ditadura do relativismo é uma expressão que pretende impor ao mundo um ideológico regime de pseudo pensamento único, uma cultura que de tão aparentemente inócua tem no seu seio a negação de toda e qualquer verdade absoluta, ousando ser implementada ditatorialmente, proibindo, denegrindo ou trucidando quem se atrever a sustentar o contrário.

Nesta guerra de “vagas ideias” ou mesmo preconceitos, tudo se impõe como relativo, exceptuando o próprio relativismo, o maior absurdo alguma vez arquitectado pelos agentes da construção social ou do poder económico e político.

Considerando que tudo é relativo e não existe a verdade objetiva, as próprias afirmações, “tudo é relativo” ou “não existe verdade absoluta”, obviamente que nos levam de imediato a concluir que não podem ser consideradas verdadeiras, pois negam a veracidade da sua própria afirmação. Afinal existe a verdade, ou pelo menos a verdade na sua alardeada afirmação de que a verdade não existe. Nada de novo para o pensamento clássico grego e seus seguidores, confrontados com a arte dos sofistas, embora agora disfarçada numa mescla de novilíngua, com o propósito de destruir as bases culturais da civilização, bem como as suas coordenadas antropológicas.

Pensamento único que se arroga no poder de aniquilar e denegrir, quem dele discorde. É uma triste mentalidade malabarista, envolta numa capa subtil de não só gerar a confusão entre o saber e a ignorância, mas ainda abalar e destruir os fundamentos religiosos, nomeadamente os monoteístas, alicerces e garantes de toda a Verdade.

Esta incoerência ideológica, não é fruto dum grande amor à liberdade de pensar, mas antes um repúdio à verdade, e sob uma hipócrita capa de tolerâncias ou consensos, infringe uma verdadeira tirania de pensamento único com consequentes aplicativos correctivos, autoritários e bloqueantes.

Ao longo dos séculos foram muitas as correntes ideológicas, as modas do pensamento levadas de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo e ao libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago, confuso, disperso e colorido misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, variantes sempre novas em jeito de seitas que astuciosamente pretendem enganar os homens, induzi-los em erro, sob pena de serem rotulados de fundamentalistas, retrógrados e outros vitupérios a que vamos assistindo.

Enquanto o relativismo, apelando ao deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda, vai-se construindo uma “ditadura do relativismo”, que não reconhece nada como definitivo e só deixa como última medida o próprio eu e as suas fragmentadas vontades, derrubando as morais válidas de todos os tempos e para toda a humanidade.

Disfarçado de cepticismo e utilitarismo derruba as normas morais válidas para todos os homens, num relativismo moral de tal forma estreito que nele não cabem a dimensão do maior, do para além de, duma outra abrangência menos plana, mas mais transcendente e magnânima.

A tríplice, relativismo, cepticismo e utilitarismo, só aceita o que supõe poder ajudar a viver num super bem-estar hedonista, hoje, aqui e agora. Tem uma aversão profunda ao sacrifício, à generosidade e à renúncia, só conhece interesses económicos e políticos, pelos quais luta e impõe, sempre disfarçados de novos direitos, novas liberdades, novas utopias idealistas de cariz destrutivo e mortífero, entrando em colisão com toda a antropologia humana e estilhaçando a essência da vida.



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