Espaço do Diário do Minho

Uma ponte

29 Jul 2022
Maria Susana Mexia

O Homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria. A referência a “homem”, engloba os componentes do género humano, o homem e a mulher, toda a humanidade.

A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo, mas o seu corpo é matéria similar em natureza à dos animais. Porém, o Homem nem é anjo nem animal, é um ser diferente, tem um pé no tempo e outro na eternidade.

Na antiguidade grega, os filósofos já o definiam como animal racional; racional porque tem uma alma e animal porque tem um corpo físico, este que é apenas a metade menos valiosa, é uma simples morada para a alma espiritual, que é o que lhe dá vida, poder e sentido.

Alma e corpo fundem-se num todo, uma substância completa que é o ser humano. Porém a sua união ou fusão, não é circunstancial, alma e corpo são feitos um para o outro e a morte do homem dá-se no momento em que a alma abandona o corpo.

Não se deve menosprezar o corpo humano, mas é a alma, a parte imortal, o mais importante da pessoa completa. O corpo humano é uma maravilhosa obra de arte, milhões de minúsculas células formam diversos órgãos e todos juntos em harmonioso trabalho, nos mantém activos e vivos, reflectindo assim a sabedoria com que foi criado. A “Sophia” ou sabedoria é a realidade intermediária entre Deus e a criatura. É a presença do divino no Homem. (Sergei Bulgakov, filósofo russo).

O nosso Autor fez-nos à Sua imagem e semelhança, por isso o espírito que nos dá vida e substância é também o poder da nossa inteligência, pela qual conhecemos e compreendemos verdades, raciocínios e elaboramos pensamentos. Aqui reside ainda o dom da liberdade e da vontade, que nos permitem escolher fazer o bem ou o mal.

Moldado na criação, ao homem fica também a possibilidade da sua evolução, de acordo com as suas opções, buscas de perfeição ou indiferença nas condutas escolhidas. Se procurar praticar acções boas e valorosas, será virtuoso, se optar por escolher ou praticar actos perniciosos para si e para os outros, a virtude dará lugar ao vício, corpo e alma sairão danificados, com consequentes reflexos em toda a sociedade.

A Criação a partir do nada, só um Ser superior o poderá ter feito, porém melhorar a nossa condição está ao alcance de todos nós, temos as capacidades para crescermos e nos aperfeiçoarmos, ou para nos reduzirmos ao mais ínfimo estado sub-humano, de degradação e desintegração.

O homem é-o na proporção dos seus desejos, é livre para escolher ser grande, magnânimo e exceder-se no Bem, na Justiça e na Verdade, ou para recusar a prática das virtudes na melhoria ou aperfeiçoamento do seu temperamento, mas nunca pode fugir às consequências da inerente escolha.

Poder escolher é um direito que lhe assiste, mas assumir a responsabilidade das suas escolhas é um dever que não se pode recusar, mitigar ou minimizar. Ambos têm consequências em todo o ser humano e na sociedade, pelo que não devem ser tratados de forma superficial. Não basta lamentar, há que agir em prol do bem comum, com toda a clareza, dignidade, compreensão e carinho, mas sem leviandade ou permissividade.



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