Espaço do Diário do Minho

As “tiradas” da CEO

25 Jul 2022
Narciso Mendes

Christine Ourmières-Widener, CEO da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP), veio declarar à revista semanal Visão, com alguma ironia, o seguinte: – “quando um cliente compra um bilhete, tudo o que corre mal é culpa da companhia aérea”.

Eu ainda sou do tempo em que era usada a velha máxima empresarial de que o ‘cliente tem sempre razão’. Só que os tempos mudaram e os conceitos de razão também. E porque se tornava necessário corrigir as práticas daqueles empresários menos escrupulosos, foram criados os centros de proteção e defesa dos consumidores para, de acordo com a Lei, mediarem os conflitos. Daí, ter estranhado a infeliz ‘tirada’ da gestora da TAP, numa espécie de lava mãos, à Pilatos, como que atribuindo a culpa do caos nos Aeroportos aos passageiros que resolveram voar no verão.

É que quando esta gestora francesa, encarregue pelo atual Governo da complexa missão de gerir a TAP, nos vem dizer que – apesar de prever um prejuízo de 54 Milhões de euros, em 2023 – pensa pô-la a chegar aos lucros, em 2024, pergunto: Como? Se acaba de consagrar os clientes verdadeiros artificies da barafunda nos aeroportos? Vê-se bem que tem pouco a ver com negócios, preferindo ignorar que são eles quem lhe dá o dinheirinho das passagens e o dos impostos para pagar as astronómicas despesas da companhia aérea de bandeira nacional.

Uma gestão, que só num fim de semana decidiu cancelar 120 partidas, provocando enorme confusão no Aeroporto de Lisboa, é sinal de que não se preparou para o afluxo de viajantes. Descartando a falha com a aterragem de emergência de um jatinho privado, ao qual havia rebentado um pneu. Como se já não bastassem as trapalhadas desta governação socialista motivadas pelo SEF. Desta vez, a desculpa foi esta e a próxima qual será? Um pássaro na fuselagem? Uma greve? Ou a falta de combustível, porque o Ministro da Tutela, Pedro Nuno Santos, apologista do “não pagamos”, resolveu enveredar pelo calote, tal como havia dito em relação à dívida portuguesa?

No nosso país, tudo é feito em cima do joelho. Ou, então, as decisões levam uma eternidade a serem tomadas. Depois, ninguém quer assumir o risco que pode ser de êxito ou fiasco. Tudo anda a reboque da propaganda do Governo e de todas suas justificações logo acatadas, de forma perene e serena, pelo povo. Até parece, como costuma dizer-se, que o PS vive num “folinho”. Pois se a governança fosse de outra cor política, o que não faltaria era gente nas ruas a barafustar. Porém, ao que assistimos é: ‘o SNS está a ruir? Deixa lá é o PS’; ‘os combustíveis sobem? Não faças caso, é o Costa’; ‘há austeridade encapotada e a maior carga fiscal de sempre? Não ligues, deixa com o Medina’; ‘o país arde? Está tudo sob controle dos socialistas”, etc.

Ora, voltando à TAP, até aqui era por falta de passageiros, devido à pandemia. Agora, é por quererem viajar aos magotes e por não haver quem queira trabalhar, especialmente, na recolha e libertação das bagagens. E se a guerra na Ucrânia der para o torto, será que já pensaram nisso? Haverá algum plano em marcha sobre uma futura crise na indústria aerotransportadora nacional? Se não, então, para que foram buscar uma gestora de topo, se não antecipa os problemas, nem pensa em soluções?

Se isto que estão a fazer no setor aeroportuário português é o melhor que pode e sabe, de pouco irá valer a tentativa de salvação da TAP. Sabem porquê? Porque depois de milhares de milhões de euros lá enterrados, logo que esta comece a produzir um cêntimo que seja de lucro terá, de certezinha, os sindicatos a morder-lhe os calcanhares. Ou seja, tudo se conjugará para uma nova aterragem de emergência nos bolsos dos contribuintes portugueses.

Mas as “tiradas” da CEO da TAP prosseguiram, dizendo: “esta Companhia não é a única, nem o Aeroporto de Lisboa o único no mundo a ter problemas”. Só que com a inoperância dos outros, posso eu bem. O que me importa é ver o esforço de todos nós, pagantes da fatura, a surtir o efeito desejado.



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