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Organização ambientalista Zero contra novos investimentos na rede de gás natural fóssil

Alega que investimentos estão “desalinhados dos objetivos climáticos e da eficiência energética”.

Redação/Lusa
24 Jul 2022

A organização ambientalista Zero manifestou-se contra novos investimentos na rede de gás natural fóssil, considerando que estão “desalinhados dos objetivos climáticos e da eficiência energética”, e diz que fazê-los é “andar para trás”.

Num comunicado, a propósito da consulta pública que terminou na sexta-feira sobre os planos de desenvolvimento e investimento nas redes de distribuição de gás para o período de 2023 a 2027 (PDIRD-G 2022), promovida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a Zero afirma: os investimentos na expansão da rede de gás devem ser travados.

A organização lembra a recente decisão do Parlamento Europeu de classificar determinados investimentos no gás fóssil como sustentáveis a partir de 2023, que lamenta, e frisa que a prioridade do sistema energético deve ser a eletrificação, com energias renováveis, para que Portugal seja neutro em carbono de preferência já em 2040.

Qualquer investimento no setor energético, frisa, deve ser aplicado em energia renovável e sustentável, o que não é o caso do gás de origem fóssil. E por isso, acrescenta, não entende que nos planos em análise se contemplem 265 milhões de euros, nomeadamente para alargar a rede de gás.

Os planos incluem a aposta na preparação das atuais redes de distribuição de gás natural para uso de hidrogénio verde (numa percentagem de 15 a 20%), mas entende a organização ambientalista, no comunicado, que tal não deve servir para justificar novos investimentos ao nível da expansão da rede de gás.

“A Zero defende que a redução do consumo de energia é a forma mais limpa e mais barata de a sociedade se desabituar do gás (ou de qualquer outro combustível fóssil) e de cumprir os compromissos climáticos da União Europeia para 2030 – a energia mais limpa e mais barata é a que não é gasta”, afirma a associação.

E diz também que alargar as redes de distribuição de gás não é “a opção mais custo-eficaz para aquecimento”, porque há outras que consomem eletricidade (como as bombas de calor) e têm uma eficiência energética superior e por isso ficam mais baratas.

Além de que, salienta, expandir a utilização de gás fóssil entra em contradição com os objetivos climáticos e energéticos do país e da União Europeia e vai ter “consequências ao nível do tarifário”.

Os investimentos no gás fóssil, explica a Zero, são também contrários ao objetivo da Comissão Europeia de, no âmbito do pacote Objetivo 55, reduzir o consumo de gás em, pelo menos, 30% até 2030 face a 2019, “e mais ainda contrários ao objetivo do RePowerEU (proposta da Comissão Europeia), onde consta uma redução de gás que corresponde a mais de 50% do consumo de 2019”.





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