Espaço do Diário do Minho

Tempo de refletir e de questionar

19 Jul 2022
J. M. Gonçalves de Oliveira

Nestes tórridos dias de verão, quando os calamitosos incêndios regressam como cíclica maldição ao nosso quotidiano, é tempo de refletir e de questionar.

Ano após ano, promessas de restruturação das florestas e aumento de meios para o combate e a prevenção de incêndios são renovadas, sem que se vislumbre resultado prático em tantos autos de fé.

Ouve-se comentários, opiniões de peritos e diagnósticos sem que surja um tratamento eficaz que nos livre deste recorrente pesadelo estival.

Perante o cenário catastrófico que temos testemunhado nos últimos dias, não será altura de todos os responsáveis do país unirem esforços para porem no terreno um verdadeiro plano nacional que combata com mais eficácia este verdadeiro flagelo?

Não estará na hora de olhar de frente para este problema que anualmente martiriza priNcipalmente as populações mais frágeis do interior, destroi riqueza e contribui para a desertificação acelerada de boa parte do território nacional?

Tenho consciência que não é tarefa fácil, que a coordenação melhorou significativamente nos últimos anos, mas é preciso mais. Bem sei que as alterações climáticas, já bem presentes aos olhos de todos, não simplificam esta missão. Porém, pela magnitude do problema e pelas suas nefastas consequências, acredito que valerá a pena reforçar e ampliar este caminho.´

É tempo de refletir e de questionar sobre as realidades que nos cercam e não devemos deixar passar sem um escrutinio sereno e atento todas aquelas que nos tocam mais profundamente.

Concretamente, além deste enorme pesadelo dos incêndios, o aumento do custo de vida em Portugal é um facto que não pode deixar ninguém indiferente. Fruto da inflação que parece não querer deixar de crescer, a subida generalizada dos preços de bens e serviços torna a vida dos portugueses mais difÍcil, sobretudo das populações mais pobres e vulneráveis.

À custa da mesma inflação, o Governo tem arrecadado mais impostos, principalmente nos combustíveis e nas transações sujeitas a IVA (Imposto de Valor Acrescentado), o que lhe dá um acréscimo substancial de receita. Não estará na altura do mesmo Governo reforçar os apoios às pessoas e famílias mais necessitadas?

No que diz respeito ao novo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS), há questões em aberto que só o tempo poderá discernir. A criação de uma Comissão Executiva levanta muitas dúvidas. Se não houver uma concentração de competências, agora nas mãos das ARS (Administrações Regionais de Saúde) e nas da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde), duvido muito da sua eficácia em termos de desburocratização e de celeridade nas decisões. Seria mesmo necessário criar mais um comissão para agilizar o SNS?

Já a decisão de poder contratar médicos sem formação especializada em Medicina Geral e Familiar para os Cuidados de Saúde Primários, além de constituir uma afronta aos titulados com aquela especialidade, não deixa de ser uma tentativa de vender “gato por lebre” aos eventuais utentes contemplados com aquela deliberação. Alguém concordará com tal medida?

Para compensar estas e outras pertinentes inquietações, li com atenção e muito apreço a entrevista que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, concedeu ao antigo primeiro-ministo, Francisco Pinto Balsemão, fundador e propietário do semanário Expresso.

Nela, Marcelo Rebelo de Sousa, além de não se esquivar a responder às perguntas mais difíceis e algumas até do foro pessoal, deixa no ar uma auréola de frontalidade, sabedoria e tranquilidade, transmitindo-nos a convicção de que estará pronto a agir em qualquer inesperada tempestade.

Nestes dias de tanto desassossego, é sempre reconfortante e tranquilizador ouvir ou ler o nosso mais alto magistrado da nação, com quem, certamente, sempre poderemos contar.



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