Espaço do Diário do Minho

Costa calma

18 Jul 2022
Narciso Mendes

Não, não estou a pedir ao nosso Primeiro-ministro que tenha calma. Apenas decidi usar o título em epígrafe não só por coincidir com este tempo de verão e de férias, como por me lembrar de uns dias que passamos, enquanto casal e antes da pandemia, em Fuerteventura. Daí, que o presente texto se relacione com essa ilha espanhola, onde há um sítio a que foi dado o nome de Costa Calma. Pois para além lá reinar a tranquilidade e o silêncio, também, possui uma bela praia. E as duas horas de avião que separam o Aeroporto do Porto ao daquela Canária, em nada se comparam ao tempo que, por vezes, demora a chegar da cidade Invicta ao nosso Algarve.

Aí chegados, juntamente com alguns veraneantes, acabamos por entabular conversa com alguns deles que haviam voado de Lisboa para ali, a pensarem em se divertir. Muito desolados, pela pacatez e brisa que por ali corria, lamentavam-se dizendo que iriam passar umas férias de tédio. Tendo-lhes sido por nós dito, de que aquele era o local ideal para repouso e fazer praia em paz e sossego. E que quanto ao vento, se ele não soprasse atafegávamos de calor. Pelos vistos foram ao engano, pois se queriam festa e barulho deveriam era ter ido para paragens desse quilate, que também as há por ali.

Situada a Sul da ilha, Costa Calma dista do Aeroporto cerca de 60km e 70km do Porto do Rosário. Havendo um ferribote que faz a ligação entre o Curralejo e o Cais da Praia Branca, em Lanzarote, e vice-versa. Ilha que se avista a norte de Fuerteventura, à saída de um extenso campo dunar com 2600 hectares de areia branca de grande valor geomorfológico e ecológico frente à Ilha dos Lobos declarada, tal como essas dunas, parque natural. Aliás, a sua dimensão e os mais de 150km das mais variadas praias, fazem dela a maior das Canárias. E o que lá não falta é natureza, o que a torna num lugar aprazível para veranear, contemplar e desfrutar.

Declarada ‘Reserva da Biosfera’ com a maior idade biológica, segundo a Unesco, apraz-me dizer que ao percorrer toda aquela ilha com os seus parques naturais – como a maior Reserva Botânica e o Oásis Parque – ostenta o maior stock de catos da Europa. Sendo 8000, de 2300 espécies, os que pudemos ver. Contudo, dignas de visita foram a Igreja de Santa Maria, as ruínas do Convento Franciscano de S. Boaventura e o Museu Arqueológico. Pelo que se o caro leitor decidir lá ir, ficará encantado com a organização, que ali existe, voltada para um turismo de qualidade.

Depois de percorrermos toda a ilha e de regresso a Costa Calma, consideramos ter sido alvo de uma espécie de dádiva divina que nunca pensáramos merecer nas nossas vidas. E ali, como acontece em todo o lado – por entre os da casa, chineses, alemães, ingleses, italianos e franceses – encontramos alguns portugueses. E não foi preciso irmos mais longe para nos acontecer algo inesperado, mas agradável:

O funcionário da concessionária da praia quando se chegou o pé de nós para cobrar o respetivo aluguer de 1 ‘sombrilla’ y 2 ‘hamacas’, ouvindo-nos falar português, resolveu perguntar-nos, em espanhol, de que parte de Portugal eramos. Ao que lhe respondemos: – “somos de Braga”. Porém, ao apercebermo-nos de que desconhecia, acrescentamos: – “trata-se da capital do Minho, a norte do país”. Mostrando-se, mesmo assim, desconhecedor. Porém, logo acrescentando na nossa língua: – “é que eu sou de Aveleda e trabalho aqui há uns anos”. Risos…

No dia seguinte, surge um outro empregado, mas, desta vez, a falar português: – “os senhores é que são o casal de Braga, de quem o meu colega Nelson me falou?”. – “Sim somos” – dissemos. – “Eu chamo-me Duarte, sou da Sé e, também, trabalho aqui”. Escusado será dizer que foi um motivo para termos conversa todos os dias que ali passamos com aqueles dois trabalhadores bracarenses e um outro de Vila-Flor, saudosos das suas terras.

No final da estadia, por entre fotos e abraços, lá nos despedimos daqueles nossos concidadãos até um dia, se Deus quiser.

Boas férias e sejam felizes.



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