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A crise docente

V – A vocação Vocação quer dizer chamamento. Só quem se sente «chamado» pela profissão docente poderá vir a ser um professor capaz, eficaz, produtivo – numa palavra, um profissional competente. Este chamamento não tem nada de transcendente ou de metafísico. Significa, tão só, a apetência e o gosto pela tarefa de ensinar. Por sua […]

M. Moura Pacheco
13 Jul 2022

V – A vocação

Vocação quer dizer chamamento. Só quem se sente «chamado» pela profissão docente poderá vir a ser um professor capaz, eficaz, produtivo – numa palavra, um profissional competente.

Este chamamento não tem nada de transcendente ou de metafísico. Significa, tão só, a apetência e o gosto pela tarefa de ensinar. Por sua vez, esta apetência e este gosto têm, desde logo, duas vertentes: a de transmitir conhecimento e a de fomentar no aluno o interesse pelo conhecimento e a curiosidade pela descoberta. Mais do que transmitir conhecimento (o que é importantíssimo – ao contrário de certas teorias pedagógicas) deve transmitir ao aluno o gosto, o método e a capacidade de investigar e descobrir por si próprio.

É a isto que se chama «motivação»: dar ao aluno um «motivo» de interesse pela matéria.

Tudo isto exige do docente uma série de aptidões naturais, sem as quais dificilmente se atingirão os objectivos atrás anunciados. Mas que nem sempre aparecem reunidas na mesma pessoa.

Pondo desde já de lado, como dado evidente, a competência científica (que, de resto, não é uma aptidão natural, mas algo adquirido), temos como aptidões naturais essenciais:

  1. Um bom domínio da língua, com facilidade de expressão e clareza de exposição. Um discurso embrulhado e confuso destrói a maior capacidade científica.

  2. Tal como os actores de teatro, projectar a voz, de modo a que os alunos percebam facilmente o discurso do professor.

  3. Manter a ordem, as regras e a disciplina dentro da sala, sem autoritarismos, mas com autoridade que se conquista, sobretudo, pelo exemplo.

  4. Ter atitudes e comportamentos simultaneamente afáveis, sóbrios e correctos. Perceber o ponto de vista do aluno e as suas dificuldades, sem nunca ceder ao facilitismo.

e)– Planear bem a aula de modo a torná-la o mais atraente e sugestiva possível. E não perder a calma e ser capaz de improvisar quando as coisas não correrem como o planeado.

f) – Saber rir com os alunos (Ridendo discendo – a rir se aprende) mas, com a mesma naturalidade, exigir seriedade quando o momento ou as circunstâncias o aconselharem.

g) – Ser compreensivo sem ser permissivo, exigente sem ser déspota nem injusto.

h) – Pensar bem antes de dar uma ordem – de modo a evitar ter que voltar atrás. Os seus prós e os seus contras devem ser bem avaliados antes de ser emitida. Porque reconhecer o erro e, por isso, voltar atrás, mina toda a autoridade. Mas, persistir no erro, mina muito mais.

i) – Manter a calma e a firmeza quando surgirem situações anómalas.

j) – E, sobretudo e sempre, ser assertivo. Isto é, não ser nem agressivo, nem permissivo, nem manipulador. Ser firme no que se determina, sendo claro e calmo a explicar porque se determina assim e não de outra maneira.

Tudo isto são qualidades naturais essenciais ao bom desempenho docente. Mas que devem ser cultivadas, treinadas, desenvolvidas paralelamente com a preparação teórica – científica, pedagógica e didáctica.

Nota: por decisão do autor, o presente texto não obedece ao impropriamente chamado acordo ortográfico.





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