Fotografia: DR

População de Atiães alerta para danos com instalação de parque industrial

A Câmara de Vila Verde alega que o que está em causa “é a classificação de terrenos cuja tipologia de uso já se encontrava como áreas de atividade económica”.

Redação/Lusa
7 Jul 2022

A população de Atiães, concelho de Vila Verde, alerta as autoridades para os danos ambientais, arqueológicos e para as violações urbanísticas, caso avance a instalação de um parque industrial na freguesia.

As preocupações constam de um abaixo-assinado, com cerca de 300 subscritores, que, segundo disse hoje à agência Lusa o presidente da junta, Samuel Estrada, “representam 80% da população residente na freguesia”.

O autarca acrescenta que o documento já foi enviado ao Presidente da República, aos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal de Vila Verde, assim como aos presidentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, entre outras entidades.

A população de Atiães alega que a instalação de unidades industriais na freguesia vai causar danos ambientais e arqueológicos, violações urbanísticas e a “condenação ao desassossego”.

O abaixo-assinado, promovido pelo Movimento Salvar Atiães, dá conta “da intenção do município de Vila Verde em criar, na área envolvente à Rua das Alminhas, uma zona destinada a atividades económicas, e da vontade manifestada nos últimos tempos por parte de alguns particulares em edificar pavilhões destinados à indústria transformadora”.

O documento refere ainda “a pretensão da Câmara Municipal de Vila Verde em incluir a zona envolvente à Rua das Alminhas como área destinada a atividades económicas na revisão do PDM [Plano Diretor Municipal] em curso”.

“Caso se concretizem tais intenções, quer de particulares, quer do município, serão provocados danos irremediáveis na nossa freguesia que nós não queremos nem aceitamos”, lê-se no documento.

Caso se concretizem tais projetos, a população alerta que os mesmos “representarão inevitáveis alterações ao trânsito, que hoje se limita à circulação dos habitantes e que se ampliaria para milhares de veículos (incluindo pesados), que teriam de invadir diariamente e durante 24 horas a zona residencial da freguesia por estradas que não estão pensadas para tal volume e tipo de tráfego”, além do ruído da circulação provocado pela própria atividade industrial.

Os subscritores denunciam ainda “danos ambientais”, justificando que a zona “integra uma das maiores áreas florestais do sul do concelho de Vila Verde, com várias dezenas de hectares de floresta”.

“A concretizarem-se os projetos em causa, serão impermeabilizados mais de 100 hectares de área florestal, sendo que a restante área ficará ameaçada pelo aumento de risco de incêndio. Acresce que aquela zona apresenta um valioso património de águas subterrâneas que, expostas à poluição inevitavelmente gerada por este tipo de projetos, serão seguramente ameaçadas”, refere o texto.

A população de Atiães considera também que haverá “danos arqueológicos” com a instalação na freguesia de unidades industriais.

“A zona envolvente à Rua das Alminhas encontra-se junto à antiga via Romana (via XIX), que se encontra identificada e classificada, pese embora ainda pouco explorada, mas que será inevitavelmente destruída por esta iniciativa”, alerta.

O abaixo-assinado dá conta também de “violações urbanísticas”, salientando que as eventuais unidades industriais “representariam uma profunda agressão urbanística e ao território”, porque, dizem, “o tipo e a volumetria das edificações em causa é absolutamente dissonante das características urbanísticas do meio, marcadas por um lado por edifícios residenciais e por outro por uma densa, grande e antiga área florestal”.

Em 27 de abril deste ano, na sequência de um protesto de populares de Atiães, o município disse que “não está a construir, nem a promover, nem a prever a construção de parque industrial em Atiães”, acrescentando que o que está em causa “é a classificação de terrenos cuja tipologia de uso já se encontrava como áreas de atividade económica”.

“No que toca aos terrenos em causa na freguesia de Atiães, face à existência de Pedidos de Informação Prévia (PIP) dos proprietários para construção/investimentos empresariais, o município não tem fundamento legal para impedir um direito privado adquirido quanto à utilização do solo nesses terrenos abrangidos pelo PIP aprovado”, explicou a autarquia, liderada por Júlia Fernandes (PSD), em resposta enviada à Lusa.





Notícias relacionadas


Scroll Up