Espaço do Diário do Minho

Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

5 Jul 2022
J. M. Gonçalves de Oliveira

Vivemos tempos extraordinários, considerando os padrões de normalidade a que estávamos habituados!

Na verdade, se nos debruçarmos sobre o que se vai passando à nossa volta, ficamos apreensivos, incrédulos e, não raras vezes, estupefactos.

A última semana foi fértil em ocorrências que contribuem para este estado de alma que nos perturba e sobressalta.

Os problemas no Serviço Nacional de Saúde são uma dessas cruas realidades. O encerramento temporário de algumas maternidades é apenas a face mais visível de uma enfermidade que tem raízes bem mais profundas do que uma ocasional falta de profissionais e leva-nos a questionar como foi possível deixar que aqui chegássemos. Porém, não é só o fecho de maternidades que é notícia, pois como tem vindo a público, outros serviços como Ortopedia e Cirurgia Pediátrica seguem o mesmo caminho. Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

O episódio ocorrido entre o ministro das infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e o primeiro-ministro, António Costa, sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa é simplesmente surrealista. Aparentemente, tratou-se de uma deslealdade que ficou sem o correspondente desfecho e, no fim, quedou-se por um pedido de desculpas que deixou fragilizados os dois principais intervenientes. Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

As cenas deploráveis ocorridas no aeroporto de Lisboa com longas filas de passageiros à espera de fazerem as formalidades necessárias para entrarem ou saírem do país e a quantidade de voos cancelados a levarem outras centenas de pessoas à exaustão e ao desespero, são absolutamente deprimentes. Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

As repetidas greves nos transportes públicos na área metropolitana de Lisboa, nomeadamente no metropolitano e na travessia do Tejo, a par das frequentes paragens ocorridas na CP-Comboios de Portugal, são outros enormes pesadelos que condicionam a vida de milhares de portugueses. Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

A já longa guerra na Ucrânia com a continuação do cortejo de horrores e de sofrimento continua sem fim à vista. O braço de ferro entre a Rússia e os países do Ocidente democrático parecem ter abandonado a via diplomática e o conflito mantém a sua sanha destruidora. Triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

A fúria de certa gente contra as instituições que recebem crianças e jovens em risco prossegue. Tudo serve para continuar a subvalorizar estas casas de acolhimento, esquecendo-se do seu papel no passado e no presente. Aquando da ocorrência de mortes de crianças por alegados maus-tratos como a de Jéssica, em Setúbal, ou de Valentina, em Peniche, nos vários fóruns dedicados ao tema, há quase sempre alguém a pugnar pelo encerramento daqueles estabelecimentos. Não teria sido bem melhor para aquelas crianças a institucionalização para continuarem a sua vida em segurança e com todos os cuidados de que necessitavam? E se por absurdo todas as instituições de acolhimento de crianças e jovens encerrassem, que alternativas existem para receber em tempo útil todos os seres vulneráveis em risco iminente? Tanta má vontade e azedume, é triste, lamentável e de consequências imprevisíveis!

Enfim, demasiados incidentes e outros tantos acontecimentos que nos levam a ficar apreensivos, incrédulos e, não raras vezes, estupefactos.

Para amenizar este panorama de inquietude e de incerteza, registo com satisfação a forma como correu no último fim-de-semana o 40.º congresso do PPD/PSD no pavilhão Rosa Mota, na cidade do Porto.

Sem grandes expectativas à partida, decorreu com elevação e sem sobressaltos, devolvendo ao maior partido da oposição a força de que necessita para servir Portugal. Num clima de grande unidade, Luís Montenegro teve o condão de trazer para a ribalta personalidades de qualidade que credibilizam a formação social-democrata e a reforçam como charneira de uma verdadeira alternativa política à presente maioria que nos governa.

Neste tempo excecional que nos arrasa e inquieta, há que estimar as coisas boas da vida como a saúde, a família e os amigos. Há que valorizar os feitos dos portugueses espalhados pelo mundo e continuar a acreditar que “depois da tempestade, vem a bonança”.



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