Espaço do Diário do Minho

Eutanásia – finalmente a solução

1 Jul 2022
Abel de Freitas Amorim

Na antiguidade Grega, nomeadamente Arístocles considerava o Homem como um “animal político”. Com a idade moderna e, principalmente, desde os finais do século XIX e com a publicação, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, considera-se que o ser Humano é mais um “animal social” do que político. Animal social que, mesmo concebido racional e logicamente, é um ser relacional, essencialmente. Sendo um ser relacional, quer queiram ou não os neoliberais, os liberais radicais, muitos materialistas, ateus ou agnósticos, o ser Humano terá de se mover e agir no equilíbrio entre a sua liberdade individual e a dimensão social que o rodeia.

Tendo a Assembleia da República aprovado, por maioria, no passado dia 09 de Junho, mais uma tentativa para a legalização da eutanásia, um dos principais argumentos de quem defende tal legalização é o da liberdade individual, como valor absoluto, e o direito que cada um tem de fazer do seu corpo o que bem entender. Ignorando o eventual carrasco, tirar a vida a alguém, a pedido, com as maiores dúvidas quanto ao estado de consciência da vítima, o argumento da liberdade individual, como valor absoluto, é completamente falacioso. É falacioso porque o valor da vida sobrepõe-se ao valor da liberdade, sem aquela esta não existe, e porque essa alegada liberdade põe em causa e afeta, com lei de caráter universal, o valor principal do bem comum que é a vida. O bem comum, mesmo com o sacrifício e sofrimento de alguns, tem como fundamento primordial a vida Humana e a sua inviolabilidade, como o consagrado na Constituição Portuguesa.

Conforme nos diz Kant, a liberdade Humana interliga-se e move-se em dois campos, a liberdade prática e a liberdade transcendental. A liberdade prática emerge do nosso livre arbítrio, a liberdade transcendental, fazendo também parte da nossa natureza, situa-se no campo da razão pura e, como tal, ultrapassa os limites das nossas possibilidades e conhecimento. Assim sendo, como exemplo dos limites da nossa liberdade, face à pandemia da Covid 19, as autoridades de saúde implementaram o confinamento, em que nenhum de nós poderia invocar a sua liberdade para o seu não cumprimento. Confinamento que tinha como objetivo um bem maior, o bem comum social, princípio e valor superior e que transcende as nossas possibilidades e liberdade. Finalmente a solução! Solução que, apresentada como prioridade, face aos inúmeros problemas dos portugueses, conflitos, guerra na Europa sem fim à vista e sofrimento ainda da pandemia, consideramos um erro histórico legislar com o objetivo de pôr em causa o princípio do valor supremo que é a VIDA. Solução que vem na linha ideológica da maioria que nos governa, como o fomentar a degradação da família secular, em resultado da promiscuidade sexual, e da quase livre permissão em praticar o aborto. Atente-se no generalizado “politicamente correto” face à Lei recentemente aprovada pelo Supremo dos EUA. Claro, não somos pela penalização das mulheres mas, permitir o aborto até aos seis meses, em qualquer circunstância, é como condenar à morte indefesas e inocentes crianças! Vejamos o que nos diz o Papa Francisco, relativamente à eutanásia e ao aborto, que os considera como atentados graves aos direitos Humanos. Solução ainda que, em vez de contribuírem para a implementação de cuidados paliativos eficientes para todos os portugueses, opta-se por apressar a sua morte, talvez para economizar recursos!

Para além de tudo isso, a tentativa de legalizar a eutanásia ocorre num período de tempo em que a principal responsável da saúde em Portugal, afeiçoada ao canto da “internacional socialista”, no seguimento de quase 7 anos, finalmente, diz que tenciona tomar boas medidas para a função que, politicamente, desempenha!

Temos dúvidas nestes objetivos porque, contraditórios com a ideologia da eutanásia e porque algo nos diz que o socialismo é sempre muito doloroso quando passa da ilusão para a realidade… Até porque, o pico das quase 320 mortes diárias da Covid 19, em Portugal, recorde mundial, infelizmente, foi vivido e servido com as desculpas do costume. Agora, já não ficam bem as desculpas com o Passos, Cavaco ou com a geral dialética marxista da “ direita tenebrosa”! “Direita tenebrosa” onde, intencionalmente, englobam a democrática, para melhor iludirem.

Enfim, para superar a rutura económica e o caos nas urgências de muitos Hospitais, partindo da conceção da falaciosa liberdade e, como melhor forma de salvação dos portugueses, irónica e tragicamente, a solução, julgam eles, está na implementação da lei da eutanásia!



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