Fotografia: DM

Trabalhadores têxteis de Famalicão manifestam-se por aumento de salários

Trabalhadores queixam-se de salários congelados “no mínimo” nos últimos 11 anos.

Redação/Lusa
28 Jun 2022

Dezenas de trabalhadores manifestaram-se esta manhã em Vila Nova de Famalicão contra a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP). Os trabalhadores acusam a entidade de manter os salários congelados “no mínimo” nos últimos 11 anos.

A coordenadora da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (FESETE), Isabel Tavares, denuncia que, em 2015, a ATP “forçou unilateralmente a caducidade dos contratos coletivos de trabalho (CCT) negociados com os sindicatos, passando a fazer apelos às empresas filiadas para eliminarem os direitos laborais”. “A associação patronal ATP insiste numa prática de boicote à negociação. Neste momento, os trabalhadores das empresas filiadas na ATP estão a ganhar o salário mínimo nacional, porque esta associação, ao abrigo do instrumento da caducidade que o nosso Governo insiste em não revogar, mantém os salários dos trabalhadores no salário mínimo nacional, o que para nós é inaceitável”, refere.

Esta prática da ATP “desrespeita do diálogo social, aumenta a exploração dos trabalhadores e empobrece-os”, argumenta Isabel Tavares. “Estes senhores divulgam os bons resultados das empresas, esquecendo-se de dizer depois quais são as condições em que têm os seus trabalhadores”, acrescenta.

A responsável pela FESETE avança ainda que, desde 2011, a empresa “se fecha ao diálogo” ou apresenta “propostas de negociação que são um roubo de direitos dos trabalhadores”. Em causa estão, exemplifica, cortes nos feriados municipais e de carnaval, nos subsídios de amas e infantários, na majoração das férias e no pagamento das horas extraordinárias e trabalho noturno. Até ao momento, a Lusa ainda não conseguiu o presidente da ATP, Mário Jorge Machado.

Presente também na manifestação, a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, aponta como “grande prioridade” o aumento geral dos salários, que defende que “já eram baixíssimos mesmo antes da pandemia e agora são ainda mais baixos com o aumento brutal do custo de vida resultante da guerra”. Em relação aos trabalhadores das empresas filiadas na ATP, admite que estão “há muitos anos” a tentar negociar o contrato coletivo de trabalho”, que a associação rompeu utilizando a norma da caducidade das contratações coletivas. “É preciso revogar esta norma, porque precisamos de uma de contratação coletiva dinâmica”, acrescenta.

A CGTP vai promover, nos próximos dias, ações de luta por todo o país, para tomar o pulso aos problemas dos trabalhadores. As ações culminam no dia 7 de julho, com uma manifestação em Lisboa.





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