Fotografia: CM Melgaço

DGPC propõe igreja medieval em Melgaço a monumento de interesse público

DGPC defende “valor histórico, social e arquitetónico artístico de exceção” do local.

Redação/Lusa
27 Jun 2022

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) propôs a classificação da igreja de Santa Maria Madalena, em Chaviães, em Melgaço, como monumento de interesse público. A proposta, “pelo valor histórico, social e arquitetónico artístico de exceção” do templo, surgiu no âmbito dos trabalhos efetuados sobre arquitetura medieval de origem românica, património classificado no Alto Minho.

Num anúncio publicado em Diário da República esta segunda-feira, o diretor-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, sustenta o pedido de classificação enviado à secretária de Estado da Cultura no fundamento da proposta da secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura de 12 de janeiro de 2022. A classificação da igreja já tinha sido oficialmente iniciada em maio de 2018, com a publicação em Diário da República (DR) do anúncio da abertura do procedimento.

De acordo com a informação do site da DGPC, a igreja paroquial construída na época medieval conserva pinturas murais quinhentistas e tem retábulo-mor barroco. “Existem evidências de, pelo menos, três camadas de pintura mural sobreposta. As pinturas murais desenvolvem-se em altura, por vezes existindo dois níveis ou registos de pintura, mas é impossível avaliar a sua extensão original”, lê-se na descrição do monumento. Os “vários temas ou painéis representados são enquadrados por barras decorativas definidoras, realizadas à mão livre e de desenho e conceção bastante simples”, acrescenta.

O documento revela ainda que, em Chaviães, as representações dos Reis Magos não seguem propriamente as “convenções” seguidas “no século 15 e 16, em que Gaspar surgia geralmente como jovem e imberbe, Baltasar como um homem maduro e, geralmente, negro, representando África, e Melchior como um velho, calvo e de longa barba branca”. No templo, Melchior e Gaspar “parecem da mesma idade madura, ambos com barba, e é Melchior que surge como negro”, surgindo ainda “outras irregularidades”, como “o prolongamento da cena para a parede do arco triunfal, separando-se a representação de Baltasar da legenda identificativa e que fora colocada na parede da nave, a colocação da sua coroa que parece flutuar sobre uma mancha laranja”.

Segundo a descrição, a igreja, que fez parte em 1839 da comarca de Monção, em 1878 da comarca e julgado de Melgaço e que pertence agora à Diocese de Viana do Castelo, desde 3 de novembro de 1977, apresenta também outras irregularidades. “Santo Antão é representado com as vestes negras da ordem dos hospitalários de Santo Antão e com os seus atributos, o báculo e o porco. São Bartolomeu surge com o atributo, a faca de esfolar, mas aos seus pés vê-se um diabo negro, atributo que ocorre apenas na pintura ibérica. A cena do Homem Silvestre simboliza a fertilidade. A pintura denota várias mãos, devido às diferentes características de composição, desenho e modelação, sendo até as molduras diferentes”, explica.





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