Espaço do Diário do Minho

Defeso passivo

23 Jun 2022
António Costa

O tradicional período de defeso em Braga tem sido passivo, no que a factos diz respeito e é deles que vale mesmo a pena falar ou escrever. Claro que não se podem ignorar determinados movimentos de alguns clubes, que usam e abusam da influência que possuem neste retângulo à beira-mar plantado.

Começando pelos factos, a única coisa relevante foi a contratação de Costinha, que deixa Coimbra com a esperança de o seu maior encanto ser encontrado de vermelho e branco. Não sei ao certo a que equipa se destina o atleta, mas admito que possa trabalhar na principal e, quiçá, jogar nos escalões abaixo, de forma a não travar a sua evolução. Mas isto sou eu a escrever de modo perfeitamente especulativo, porque não possuo dados que me permitam ser mais assertivo.

Dos acontecimentos indesejados em Braga destaco a descida do Bordéus (França), que fez voar muitos euros que podiam refrescar os cofres bracarenses, ainda com relação direta à transferência de Fransérgio, que contemplava objetivos, e a não subida do Tenerife, que teve um jogo caseiro final pouco conseguido e muito azarado, depois do nulo na primeira mão, pelo que assim não fica obrigado a pagar a verba acordada por Mario Gonzalez. São muitos euros a voar, que dariam muito jeito no desejado equilíbrio financeiro, que pode agora forçar a outras opções. Aguardemos tranquilamente pelos próximos tempos, que prometem ser de menor passividade.

Os dias que se seguem podem ser surpreendentes, a avaliar pelas constantes manifestações dos jornais e das televisões, que tentam vender tudo o que mexe em Braga, de preferência aos três clubes que se autoproclamaram grandes, mas cujo comportamento deixa muitas vezes a desejar. Aliás, por parte de alguma comunicação social esses três clubes devem vender caro para fora, muito graças à sua permanente promoção dos “artigos” expostos e, em seguida, comprar bem e barato cá dentro, usando velhos truques que fazem mexer com a parte mental dos atletas, que possuem naturais aspirações de melhorarem as suas condições.

Mas de Braga tem surgido a resposta de que o tempo da “loja dos trezentos” já lá vai e que a vontade dos senhores dos clubes do costume não dita leis. Espero que assim continue. Eu, tal como toda a legião, prefiro inequivocamente que o SC Braga faça transações para o estrangeiro, encontrando palcos a condizer com o valor de alguns dos seus jogadores.

A estrutura de treinadores da próxima temporada ainda não está toda definida, sendo admissível que algumas mudanças possam surgir, especialmente como prémio de alguns bons desempenhos observados em algumas equipas técnicas, espelhados nas classificações honrosas dos grupos que lideraram, ainda que nenhum título tenha premiado a excelência da Cidade Desportiva.

Uma nota final para a equipa de sub 17 que ficou em segundo lugar, sendo uma espécie de vice-campeão, posição alcançada na penúltima jornada. Ora, mesmo sem ter conseguido o tão desejado título, é por demais evidente a qualidade que existe neste escalão, que se continuar o percurso ascendente que se augura pode, em breve, fornecer reforços de peso à equipa principal.

Os meus parabéns a todo o grupo de trabalho, na pessoa do treinador Pedro Pires, pela grande época realizada, só superada por um Sporting demasiado forte. É com expectativa que aguardo a eventual estreia nos mais crescidos de jogadores como Dinis Rodrigues ou Vasconcelos, entre outros, ainda que as etapas só devam ser queimadas a título excecional e não rotineiramente. Que o tempo dê a estes meninos a possibilidade de caminharem com a naturalidade que as suas idades recomendam.



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