Fotografia: Nuno Cerqueira

Adiado acórdão de padre e três ‘freiras’ acusados de escravizar raparigas em Famalicão

Está agendada uma nova sessão para o dia 1 de julho.

Redação/Lusa
22 Jun 2022

O Tribunal de Guimarães adiou a leitura do acórdão do processo com um padre e três responsáveis de uma “associação de fiéis” de Requião, em Vila Nova de Famalicão, acusados de escravizarem jovens raparigas. Foi agendada uma nova sessão para o dia 1 de julho.

Antes da leitura da decisão, agendada para esta manhã, a juíza presidente Paula Sá comunicou a alteração não substancial de factos e, dado a defesa dos arguidos não prescindir de prazo para se pronunciar, o tribunal deu dois dias para que apresente contestação e agendou nova sessão para o dia 1 de julho. Nessa data, poderá haver leitura do acórdão ou a reabertura do julgamento para produção de prova, avançou.

Os quatro arguidos – o padre fundador e três religiosas – são acusados pelo Ministério Público (MP) de angariar jovens para executarem as tarefas diárias na conservação e manutenção das instalações, bem como de continuar a atividade da ‘Fraternidade Missionária de Cristo Jovem’, também arguida no processo, “sem qualquer contrapartida e mediante a implementação de um clima de terror”.

O MP refere que os arguidos tinham “como alvo jovens de raízes humildes, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas e com pretensões a integrarem uma comunidade espiritual de raiz católica, piedosas e tementes a Deus”. Segundo a acusação, os arguidos diziam às jovens que “tinham sido escolhidas por Deus, convencendo-as de que deviam escolher a vida religiosa”, e que, caso negassem as suas vocações, teriam castigos “divinos”, problemas familiares e mortes na família.

Alguns dos castigos que constam na acusação a que as jovens seriam sujeitas passam por agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas, tratamentos humilhantes, castigos, trabalhos pesados, escassez de alimentação, água e banhos, negação de cuidados médicos e medicamentosos e restrição da liberdade. A acusação fala ainda em bofetadas, murros, pontapés, puxões de cabelo, pancadas com enxadas, ancinho, ferros, mangueira, paus, vassouras, chinelos, sapatos e na obrigação de se agredirem-se mutuamente com um chicote de corda.

No processo, cada arguido responde por nove crimes de escravidão. Uma das alterações comunicadas esta quarta-feira pela presidente do coletivo de juízes prende-se com o “aditamento” de atos praticados pelos arguidos que constam na acusação.





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