Espaço do Diário do Minho

Estacionamento nas Piscinas?! Eles é que mandam! E pronto!.

15 Jun 2022
MARIA ADELINA VIEIRA

Há situações, caros leitores, que, após muito tempo de espera, obrigam o cidadão a erguer a voz, em nome de soluções de questões candentes relativas à comunidade que, há anos, não vislumbra qualquer solução, por quem de direito. Tentarei fazer uma síntese do caos do estacionamento em que vivem mergulhados os moradores do complexo das Piscinas. A rua João Cruz, situada nas traseiras do prédio onde resido, há 13 anos, não tem saída e sempre serviu de espaço de estacionamento para os residentes dos prédios que veem os parcos lugares, na Praça, bem cedo, todos ocupados por quem foge aos preços de aparcamento das ruas e dos parques públicos. Aqui estacionam, entre as 8 e as 19 horas. Uma autêntica invasão móvel! A situação caricata da qual farei crónica, traz à luz aspetos bizarros que nunca imaginei observar, num “visto claramente lume vivo”. No pacato sábado do dia 26/03, pelas 16h 40m, dirigia-me para o meu automóvel aparcado na Rª João Cruz, quando vejo dois polícias chegarem e, muito atarefados, reparo para meu espanto, que começam a passar multas, indiscriminadamente colocadas, nos vidros dos carros, ali, preguiçosamente estacionados, à espera de mais uma 2ª fª de trabalho. Perante a estranheza desta situação, dirigi-me aos agentes, perguntando-lhes que lei tinham transgredido os donos dos veículos, para serem punidos, assim, à queima-roupa, num fim de semana. A multa nesta rua, já se tornara costumeira! E, ocorreu-me, a sagração muçulmana do sabatha, aqui, gratuitamente, violada. Durante os cinco dias da semana em que a piscina e os campos de ténis estão abertos, ver a polícia passar multas, já se tornou habitual, porém, ao sábado, como se explica, sr. Agente, a anormalidade da vossa intervenção?!” A resposta não se fez esperar: “Vimos, com pressa e o serviço tem de ser feito, com prontidão e eficiência”. Cioso do seu ofício, o agente, explica-me que alguns carros iriam já ser multados, pela segunda vez, outros já pela quarta vez!. Esta brada aos céus! E, continuando, sem entender mesmo peva do que os polícias me diziam, inquiria incrédula: “Mas sob que lei estão a agir, os senhores agentes? Sob que Lei ou Decreto ou parágrafo?! – expliquem-me, por favor”. E, salta-lhe da boca este argumento de uma iliteracia espantosa: “Olhe minha Senhora, sobre nenhuma, quer saber?! Mandaram-nos multar todos os carros que não estejam estacionados em linha recta… daqui para lá…”. E tentei visualizar a geometria da “oculta coisa”: “Daqui para lá, pr’a frente, entende, agora?!” Eu tentei, mas não logrei perceber… Chega, ofegante, uma senhora idosa e muito aflita: “Ai, meu Deus, eu moro, aqui, há 34 anos e o meu marido sempre estacionou, assim, enviesado, como todos os vizinhos. Ele está com Alzheimer e não pode conduzir. Imperturbável o agente, aquiesce: “Vá, vá, senhora, deixe-se disso! Tire daqui o carro e depressinha, ouviu, que nós temos de acabar o serviço, em dez minutos.” E eu não desistia de lhes perguntar quem os tinha mandado fazer aquela triste figura: “Pois, olhe, minha Senhora, foi mesmo o Senhor Comandante. Recebeu uma queixa contra a posição de estacionamento de antigamente e, este fim de semana, tem de ficar o assunto resolvido”. – Ah! O Sr. Comandante!… E, por que motivo os moradores não foram, antecipadamente, avisados da alteração das regras de estacionamento, por quem de direito? E tentou calar-nos o agente, com resposta pronta, enquanto continuava no ofício das multas avulsas: “Olhem, Senhoras, isso eu não sei! Perguntem-lhes! Eles é que mandam. E pronto! Isto é assim! Nós vamos continuar a passar mais multas, enquanto houver carros, aqui, estacionados”. Como o eco do grotesco desta situação chegou ao ouvido e à carteira de quase todos os moradores, gerou-se um clima de agitação à volta da” multaria” por incógnitas razões. “Isto é um inferno! Eu já paguei três multas. “Eu sou professora… Não aguento nem a injustiça destas multas nem esta insólita situação”. E altercava outro morador: “Eu vou apresentar queixa na Polícia! E escrever para a Câmara!” Ai, sim, e de que lhe serve tudo isso?”. Mas, onde havemos de estacionar os nossos carros?! Ninguém nos avisou de nada. Que diabo, isto não se faz!”. Ora, operar de viés, é uma metodologia que não lembra nem ao Diabo, aquele sujeito maldito mas certinho no que faz!. Que ele anda à solta já todos sabemos, mas um Diabo vestido de multas, aplicadas à socapa, e não de capa vermelha e cornos na testa, é o tal figurão que nem o Mestre Gil se atreveria a pôr em desfile, neste insólito cortejo de multas! P’ra longe vá o agoiro!



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